
Os primeiros dias após as eleições foram marcados por forte correção nos mercados financeiros e por um contundente realinhamento das expectativas do setor produtivo com relação ao futuro da economia brasileira.
Em síntese, vimos dólar e juros futuros para cima, enquanto as empresas com ações listadas na bolsa registram expressivas perdas de valor. Embora o universo agro seja atingido por essa conjuntura por canais diferentes, ele não está imune ao choque de realidade que as urnas entregaram após o 2° turno.
Ao final da contagem dos votos, o atual governo (Lula/PT) conseguiu conquistar a sua reeleição. Essa vitória acabou revertendo as expectavas que os agentes de mercado estavam formando desde o resultado do 1° turno.
Na ocasião, as urnas revelaram uma liderança do principal candidato de oposição (Flávio Bolsonaro) e uma ampla maioria dos partidos de espectro da direita e do centro em ambas as casas do Congresso.
Com a vitória do atual grupo político no Palácio do Planalto, o mercado teve que se reposicionar diante do choque de realidade que o 2° turno trouxe e reprecificar os ativos associados à economia brasileira, levando a uma forte queda da bolsa e expressiva alta, tanto do dólar quanto dos juros futuros.
Mas por que houve um forte movimento de reprecificação dos ativos financeiros associados à economia brasileira? Desde os primeiros momentos da contagem dos votos do 2° turno, os mercados futuros já deram início a um processo de intensa reprecificação dos ativos financeiros associados à economia brasileira.
Por trás dessa dinâmica, houve um realinhamento das expectativas: com a perspectiva de vitória da oposição sinalizada pelas urnas após o 1° turno, o mercado visualizou maior probabilidade de o Brasil realizar as reformas necessárias para evitar a deflagração de uma complicada crise fiscal.

Além disso, o mercado também formou a expectativas de que o Brasil voltaria a operar uma agenda de políticas que buscam melhorar o ambiente de negócios. Por fim (e não menos importante), também havia as expectativas de maior chance de a sociedade encaminhar uma solução mínima para resolver a crise institucional que envolve principalmente os tribunais superiores. Conforme evoluía a apuração dos votos do 2° turno, o cenário descrito anteriormente foi se desfazendo.
Ao final do 3° mandato do presidente Lula, a economia brasileira conta com importantes desafios a serem digeridos:
Esses desafios estariam presentes mesmo que tivesse havido alternância de poder, mas foram agravados com a reeleição do atual governo. É importante explicar como cada um desses eventos podem impactar o universo agro:
Enfim, o resultado revelado pelas urnas no 2° turno das eleições surpreendeu o mercado. Não é possível mudar o passado e reverter os excessos cometidos para garantir a reeleição. A fatura chegará ao longo dos próximos meses e todos deveremos nos adaptar ao novo cenário: menor probabilidade de realização das reformas necessárias, desequilíbrio fiscal por mais tempo, inflação, juros e dólar mais altos.
Ao setor produtivo, resta se adaptar ao novo cenário e trabalhar para extrair o melhor possível da nova conjuntura, enquanto aguarda a possibilidade de construção de uma agenda política mais próspera.

*Felippe Serigati é pesquisador do FGV Agro
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