Brasil suspende exportações de carne de frango para a China após caso de Newcastle em SC

perus doença de Newcastle
Foto: Pixabay

O Brasil suspendeu preventivamente as exportações de carne de frango para a China, principal destino dos embarques brasileiros do setor avícola, após a identificação do vírus da doença de Newcastle em uma propriedade de Santa Catarina. A medida segue um protocolo sanitário firmado entre os dois países e foi confirmada pelo presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, em entrevista ao Canal Rural nesta terça-feira (20), durante a Sial Paris, uma das principais feiras internacionais do setor de alimentos, realizada na França. Ainda de acordo com o executivo, também estão suspensas as exportações para o México, Chile, Malásia e Cazaquistão.

Segundo Santin, o acordo determina a interrupção imediata das exportações brasileiras para o mercado chinês em caso de identificação de uma doença de notificação obrigatória. Agora, o setor aguarda uma manifestação das autoridades chinesas sobre os critérios sanitários que serão adotados para a retomada dos embarques.

“A gente já fez uma autossuspensão porque estava previsto no protocolo sanitário entre o Brasil e a China que, se houvesse uma doença de notificação obrigatória, o Brasil deveria suspender imediatamente as exportações para a China e mandar informações, aguardando que a China respondesse que tipo de regionalização ela gostaria”, explicou.

Brasil notifica países importadores sobre caso de Newcastle

De acordo com o presidente da ABPA, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores, iniciou os procedimentos de comunicação aos parceiros comerciais do Brasil.

O caso também foi oficialmente notificado à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), conforme as exigências internacionais de transparência sanitária.

Segundo Santin, o material genético do vírus foi identificado em aves de uma propriedade de Santa Catarina, embora os animais não apresentassem sinais clínicos da doença.

“O vírus foi encontrado em aves em uma propriedade de Santa Catarina, e isso foi informado ao mundo”, afirmou.

As embaixadas brasileiras estão recebendo as informações para encaminhá-las às autoridades sanitárias dos países importadores.

Paralelamente, a ABPA está distribuindo comunicados aos clientes internacionais por meio das empresas exportadoras brasileiras.

“Estamos mostrando que o Brasil tem um sistema robusto de controle”, destacou Santin.

Restrições podem ficar limitadas a Santa Catarina

Apesar das suspensões anunciadas por alguns países, a expectativa do setor é que a maior parte dos parceiros comerciais mantenha as restrições limitadas às regiões próximas ao local onde o vírus foi identificado.

Segundo Santin, os protocolos sanitários já estabelecidos com diversos mercados permitem a aplicação do princípio da regionalização, que restringe os embarques apenas de determinadas áreas, em vez de todo o território brasileiro.

Na maioria dos acordos, as suspensões podem ficar limitadas ao estado de Santa Catarina, ao município onde ocorreu o caso ou a um raio de dez quilômetros ao redor do foco.

“A grande maioria já tem definido nos acordos que as suspensões se darão somente no estado de Santa Catarina, no município onde ocorreu o caso ou no raio de dez quilômetros ao redor do foco”, explicou.

Medidas sanitárias buscam evitar disseminação do vírus

O presidente da ABPA ressaltou que o Brasil está cumprindo os procedimentos previstos nas normas internacionais para impedir a disseminação do agente infeccioso.

Segundo ele, o plantel da propriedade onde houve a identificação do vírus já foi abatido como medida de controle sanitário.

Santin destacou que a identificação do material genético viral ocorreu sem a manifestação clínica da doença nas aves, mas que as autoridades adotaram os procedimentos exigidos para esse tipo de ocorrência.

“O Brasil está cumprindo a regra, sempre com transparência, protegendo o rebanho e evitando que isso se espalhe para outros plantéis”, afirmou.

A retomada das exportações aos países que suspenderam as compras dependerá da avaliação das informações técnicas enviadas pelo governo brasileiro e das decisões das autoridades sanitárias de cada mercado.

Enquanto isso, o setor avícola acompanha as manifestações dos parceiros comerciais e trabalha para reduzir os impactos das restrições sobre as exportações brasileiras.

*O repórter Marcelo Dias viajou a convite da Abiec e da ApexBrasil

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