Exportações do agro brasileiro aos EUA caem 17,8% em 2026

bandeiras dos EUA e do Brasil
Imagem gerada por IA para o Canal Rural

As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 31,9% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025, e somaram US$ 3,5 bilhões. Apesar da alta mensal, as vendas ao mercado americano acumulam queda de 6,5% em 2026, com US$ 1,9 bilhão a menos em exportações.

Os dados são do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil com base em informações do Comexstat, sistema oficial de estatísticas do comércio exterior brasileiro.

Em setembro, o volume exportado aumentou 3,1%, enquanto o preço médio dos produtos avançou 28% em relação ao mesmo mês do ano passado. Segundo a entidade, a comparação ocorre com um período em que estavam em vigor tarifas adicionais de até 50% sobre produtos brasileiros.

No acumulado de janeiro a setembro, as exportações de bens sujeitos a sobretaxas caíram 8,1%, enquanto as vendas de produtos sem essas tarifas recuaram 5,1%.

A maior retração foi registrada entre os itens sujeitos às alíquotas mais elevadas, de 25% ou 37,5%. Nesse grupo, as exportações diminuíram 25,4%, o equivalente a aproximadamente US$ 1,4 bilhão.

Madeira e produtos agropecuários registram queda

Entre os dez principais produtos brasileiros sujeitos às sobretaxas mais elevadas, nove apresentaram redução nas exportações aos Estados Unidos no acumulado do ano.

A maior queda percentual foi registrada pela madeira de coníferas, com recuo de 50,6%. Na sequência aparecem granitos trabalhados (-34,1%), sebo bovino (-33,4%), fumo não manufaturado (-32,2%) e outras portas (-29,3%).

O levantamento também aponta retração das vendas brasileiras aos Estados Unidos nos três grandes setores da economia.

Na agropecuária, as exportações ao mercado americano caíram 17,8% entre janeiro e setembro. Para os demais destinos, houve crescimento de 8,9% no período.

Na indústria extrativa, as vendas aos Estados Unidos recuaram 32%, enquanto avançaram 21,2% para os outros mercados. Já na indústria de transformação, a queda foi de 1,2% nas exportações ao mercado americano, ante alta de 6,3% para os demais destinos.

Apesar do resultado negativo, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações brasileiras da indústria de transformação, com participação de 15,7% do total.

Importações dos EUA também recuam no ano

As importações brasileiras de produtos americanos cresceram 2,1% em setembro, marcando o terceiro mês consecutivo de alta. O avanço foi puxado principalmente pelas compras de combustíveis, que aumentaram 108,5%, e de máquinas de processamento de dados, com crescimento de 31,4%.

No acumulado de janeiro a setembro, porém, as importações provenientes dos Estados Unidos somaram US$ 31,8 bilhões, queda de 7,1% em relação ao mesmo período de 2025.

Com as exportações brasileiras totalizando US$ 27,5 bilhões e as importações chegando a US$ 31,8 bilhões, o Brasil registrou déficit comercial de US$ 4,3 bilhões na relação com os Estados Unidos nos nove primeiros meses de 2026.

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