Ao agro será necessário reunir a publicidade à propaganda

publicidade e propaganda do agro brasileiro
Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Publicidade vem do tornar público. Propaganda vem da propagação. Tem origem na própria agricultura, técnica de plantar mudas ou brotos como na poda e cultivo das videiras para fazer plantas crescerem. Logo nada mais simples e óbvio de conectarmos a propaganda com o agro. Ou seja, o publicitário com o agricultor.

A propaganda se volta à difusão de conceitos, crenças, valores e foi formalmente reunida em 1622 pelo papa Gregório XV criando a “Congregatio de Propaganda Fide”. Essa comissão de cardeais era chamada de propaganda e tinha como objetivo propagar a fé católica. Dessa forma, perante os desafios de construção de consciência percebida de uma verdadeira revolução tecnológica agro tropical mundial, que foi desenvolvida no Brasil nos últimos 50 anos, precisamos de ambos, uma reunião da publicidade com a propaganda.

Modernamente a publicidade é tida para a venda de produtos e serviços, enquanto a propaganda para valores, conceitos, política, ideias. Nas guerras do século 20, a utilização da propaganda foi decisiva e relevante, o que pode ser analisado na obra “Ads that won the war”. Também no livro “Mein Kampf”, onde Hitler destaca que a Alemanha perdeu a 1ª Guerra para a propaganda aliada, o que explica sua total alucinação e exigência de propaganda comandada pelo seu publicitário Goebbels, onde à época até uma mídia totalmente inovadora foi usada, o telegrama.

A arte publicitária se reúne à propaganda, pois as marcas agora se conectam por valores, estilos de vida. No âmbito do agronegócio, os movimentos ESG dão legitimidade a originação dos alimentos, fibras, energia, meio ambiente. Portanto, a inexistência ou um relaxamento na gestão das estratégias de publicidade e propaganda do agro brasileiro para a sociedade brasileira e para as sociedades internacionais consumidoras clientes do Brasil não se justifica e, ao contrário, passa a ser fator crítico de sucesso daqui para a frente.

O Prof. Dr. Ray Goldberg (in memorian), criador do conceito de agribusiness em Harvard, me
disse certa vez: “Precisamos parar de dividir o mundo, os políticos polarizam o mundo e o sistema agroalimentar é o único que pode reunir a todos numa agrocidadania, num único sistema de saúde planetário”.

Dessa forma, a originação tropical brasileira ambiental exige ser apresentada ao mundo não apenas para a tornar “pública” de todos e não de alguns, mas exige as estratégias da propaganda para mudança de percepções que utilizadas com a desinformação e fake news atrasam o crescimento brasileiro, criam barreiras sem sentido racional, além de prejudicar o mundo inteiro.

A propaganda do agro tropical nacional precisa conquistar corações e mentes. Exige talento criativo e de forte empatia com a cidadania mundial, e para que isso seja realizado precisamos quebrar filtros, ultrapassar barreiras perceptuais instaladas nas populações.

Significa que não basta tornar público, será necessário conquistar em alta velocidade com forte empatia a percepção de sermos um país que recebeu todos os povos do mundo. Aqui nos reunimos, casamos e nos misturamos. Aqui somos todos imigrantes. E foi destes povos que se tropicalizaram, se amalgamaram, que criamos uma surpreendente segurança alimentar, energética para o mundo todo.

E temos muito daqui para a frente a ser feito não só para o Brasil, mas para todos. Amazônia, Pantanal, Caatinga, Pampa, Mata Atlântica, em cada bioma existem centenas de microbiomas. Na maior reserva de água doce do mundo há um potencial gigantesco para a governança da irrigação, de sistemas agrisilvipastoris, o que será cada vez mais sagrado nas mudanças climáticas.

Na pesquisa Marca Brasil, em 26 países e 27 estados, a marca Brasil surge como natureza, povo, turismo e agro. Essa síntese será vital para um plano estratégico da nação brasileira ao futuro. A mistura desses quatro ingredientes preservando cada um deles. E para isso precisamos imediatamente fazer a publicidade e propaganda com os ótimos publicitários brasileiros, conquistando no mundo a percepção do que já fazemos de extraordinário para o bem do mundo e para mudarmos o mundo para melhor.

Sem propaganda e publicidade, nós jogamos, mas ninguém torce por nós.

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


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