
Com a aproximação da corrida eleitoral para o Palácio do Planalto, as principais lideranças do agronegócio intensificam a apresentação de suas pautas prioritárias aos candidatos.
Para a Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), o próximo chefe do Executivo terá como teste decisivo a capacidade de destravar a competitividade do setor produtivo e garantir condições para que o campo avance sem entraves burocráticos e estruturais.
O presidente da entidade, Paulo Bertolini, pontua que a desregulamentação e o corte de barreiras administrativas devem encabeçar o plano de governo dos presidenciáveis. “Primeiro, tirar as amarras que dificultam o setor produtivo avançar. E ele tem avançado numa velocidade que poderia ser até maior”, afirmou.
Na avaliação da Abramilho, a agenda do próximo governo precisará atacar com urgência o descompasso entre o recorde das safras e a capacidade física de escoamento e estocagem do país. Segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve colher 360,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26.
O déficit crônico de armazéns e a dependência de modais rodoviários sobrecarregados encarecem o frete e reduzem as margens dos produtores, exigindo um plano robusto de concessões e investimentos em:
“Temos uma dificuldade enorme e cada vez mais crescente na questão da armazenagem de grãos, na questão também da irrigação, na logística, são rodovias, ferrovias e portos”, ressaltou o dirigente, cobrando políticas públicas de longo prazo que garantam segurança jurídica aos investidores.
Outro ponto central defendido junto aos postulantes à Presidência da República é a reformulação do formato e do cronograma do Plano Safra. A entidade propõe sincronizar o principal instrumento de fomento ao setor com o exercício fiscal da União, além de torná-lo plurianual.
Atualmente anunciado no meio do ano (vigência de julho a junho), o modelo anual costuma gerar incertezas e descompassos com a tramitação orçamentária no Congresso Nacional. A proposta é que o anúncio ocorra em janeiro, com horizontes mais amplos de planejamento financeiro.
“Que ele aconteça junto com o orçamento da União e, uma vez ao ano, lá em janeiro, você anuncie, mas que ele tenha uma durabilidade maior, um plano plurianual […] olhando o Brasil de uma forma mais estratégica, mais ampla, mais profunda”, defendeu Bertolini.
A manifestação da Abramilho integra a série especial do Canal Rural, que mapeia as demandas e os desafios repassados pelas maiores entidades do setor produtivo aos candidatos que disputam a Presidência da República.
O post Abramilho cobra menos ‘amarras’, salto em infraestrutura e Plano Safra plurianual apareceu primeiro em Canal Rural.