
Uma pesquisa da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) aposta no leite de jumenta como alternativa natural para reduzir o uso de antibióticos na reprodução de equinos. A tecnologia está em desenvolvimento e busca aproveitar compostos com ação antimicrobiana presentes no leite para conservar sêmen sem a necessidade, ou com menor dependência, dos antibióticos tradicionalmente usados nesse processo.
O estudo é coordenado pelo professor Gustavo Ferrer Carneiro e investiga a inclusão do leite de jumenta na formulação dos chamados diluentes seminais, soluções utilizadas para preservar o sêmen durante o armazenamento e o transporte.
A proposta surge em um momento em que a resistência aos antimicrobianos é considerada um dos maiores desafios para a saúde pública e para a produção animal, estimulando a busca por alternativas mais sustentáveis.
“O desenvolvimento de alternativas naturais ao uso de antimicrobianos é uma necessidade crescente em todo o mundo. O leite de jumenta reúne características únicas que podem contribuir para esse objetivo e, ao mesmo tempo, abrir novas possibilidades de inovação na reprodução animal”, afirma Gustavo Ferrer.
O principal diferencial do leite de jumenta é a alta concentração de lisozima, enzima com reconhecida ação antimicrobiana contra diferentes bactérias. Além dela, o alimento também contém lactoferrina, lactoperoxidase, imunoglobulinas e peptídeos bioativos, compostos que vêm sendo estudados por seu potencial em aplicações farmacêuticas, nutracêuticas e biotecnológicas.
Segundo os pesquisadores, a expectativa é desenvolver protocolos de conservação de sêmen mais eficientes e alinhados às estratégias globais de redução do uso de antibióticos.
A tecnologia está sendo desenvolvida pela startup Biofrevo, incubada na UFRPE e voltada à reprodução e ao melhoramento genético de equídeos.
O projeto faz parte de uma linha de pesquisas mais ampla sobre o aproveitamento do leite de jumenta. Além da reprodução animal, os estudos abrangem a qualidade do leite, o manejo dos animais e o desenvolvimento de novos produtos de maior valor agregado.
Uma das iniciativas em andamento é a criação de um chocolate enriquecido com leite de jumenta. A proposta é combinar os compostos bioativos do leite com os antioxidantes naturalmente presentes no cacau, dando origem a um alimento funcional.
De acordo com Gustavo Ferrer, o projeto também busca fortalecer uma cadeia produtiva capaz de beneficiar pequenos produtores e contribuir para a preservação do jumento nordestino.
“Nosso objetivo é contribuir para a estruturação de uma cadeia produtiva capaz de gerar novas oportunidades de renda para pequenos produtores, estimular a conservação do jumento nordestino e transformar o conhecimento científico desenvolvido nas universidades em soluções inovadoras com impacto econômico, social e ambiental”, destaca o pesquisador.
As pesquisas também ganharam reforço internacional. Em 2026, equipes da UFRPE e da UFAPE realizaram uma missão técnico-científica à China e firmaram uma parceria com a China Agricultural University (CAU). A cooperação prevê intercâmbio de conhecimentos sobre produção de leite asinino, processamento e aplicações biotecnológicas, ampliando as perspectivas para o desenvolvimento da tecnologia no Brasil.
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