
Produtores de milho em Itapurá, Mato Grosso, estão enfrentando um cenário preocupante na reta final da colheita. Apesar da boa produtividade, a baixa remuneração pelo cereal e os descontos na classificação dos grãos têm comprometido o resultado financeiro da safra.
Com cerca de 70% dos 180.000 hectares cultivados já colhidos, os agricultores estão acelerando os trabalhos para evitar perdas. Na propriedade do produtor Réges, mais de 60% da área de 800 hectares já foi colhida, enquanto na propriedade de Silvéio, mais da metade dos 1.330 hectares também já foi retirada do campo.
Apesar do bom desempenho da safra, a desvalorização do milho tem gerado apreensão entre os produtores. Segundo eles, a queda de até 50% no preço do cereal pode reduzir a rentabilidade e aumentar a incerteza sobre os investimentos futuros. Os agricultores afirmam que a situação está insustentável e que muitos estão sendo forçados a vender abaixo do custo.
Outro ponto de preocupação é a aplicação de descontos na classificação dos grãos avariados. Os produtores contestam os critérios adotados por algumas empresas, que podem prejudicar ainda mais o resultado financeiro da safra. A insatisfação é generalizada, com muitos afirmando que a classificação muitas vezes é injusta e que as empresas precisam ser mais compreensivas.
Com a previsão de que até 2030, 40% dos produtores rurais possam desistir da atividade, a situação se torna alarmante. A falta de rentabilidade e a pressão financeira estão levando muitos agricultores a questionar a viabilidade de continuar no setor. A PRSORGE, entidade que representa os produtores, afirma que está vigilante na defesa dos interesses dos agricultores e que mecanismos de arbitragem estão disponíveis para garantir uma classificação justa.
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