Incentivo ao seguro rural no Brasil: o papel do ‘primeiro risco absoluto’ e das cooperativas
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O seguro rural ainda é pouco difundido no Brasil. Apesar de sua importância para proteger o produtor contra eventos climáticos extremos, pragas e oscilações de mercado, muitos agricultores não têm acesso a esse instrumento por causa do custo elevado, da burocracia e da falta de informação.
A nova legislação sobre seguros cooperativos (LC 213/2025) e o modelo de primeiro risco absoluto (PRA) despontam como alternativas viáveis para mudar esse cenário.
O que é o primeiro risco absoluto (PRA)
O PRA é um modelo de seguro simplificado:
O produtor define uma importância segurada (IS), que é o valor máximo a ser indenizado.
Se ocorrer uma perda menor que a IS, a indenização é total; se for maior, o produtor arca com o que ultrapassar o limite.
Esse formato evita cálculos proporcionais e cláusulas complexas, facilitando a contratação e reduzindo o custo do seguro.
Esse cálculo mostra como o PRA pode tornar o seguro mais transparente e acessível.
Cooperativas podem ser decisivas na expansão do seguro rural:
Reduzem custos administrativos, por conhecerem de perto a realidade dos associados.
Ajudam na coleta de dados de produtividade e zoneamento agroclimático, essenciais para cálculos atuariais mais justos.
Pela LC 213/2025, podem oferecer diretamente seguros mutualistas, criando uma rede de proteção com menor custo.
Apesar dos avanços, ainda há barreiras:
Assimetria de dados sobre perdas e clima.
Alto custo de operação para seguradoras.
Risco moral (produtores podem relaxar em medidas preventivas sabendo que estão segurados).
Necessidade de ampliar subvenções públicas.
Políticas de incentivo
Especialistas defendem medidas como:
Subvenção escalonada para pequenos e médios produtores.
Seguros cooperativos regionais.
Prêmios reduzidos para quem adota boas práticas de manejo e mitigação de risco.
Melhoramento do zoneamento agroclimático.
Produtos modulares simplificados.
Vinculação ao crédito rural, tornando o seguro condição para financiamento.
O modelo de primeiro risco absoluto, aliado à força das cooperativas e a políticas públicas bem estruturadas, pode ser a chave para expandir o seguro rural no Brasil. Ao reduzir custos, simplificar cálculos e aumentar a previsibilidade, o PRA oferece estabilidade de renda ao produtor e diminui a necessidade de socorro emergencial pelo Estado.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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