São Paulo – A vacina contra a covid-19 desenvolvida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford não causa coágulos sanguíneos, de acordo com a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido, que vê os benefícios do imunizante superando seus riscos.
“Hoje, após uma revisão científica rigorosa de todos os dados disponíveis, o regulador do Reino Unido descobriu que as evidências disponíveis não sugerem que os coágulos sanguíneos nas veias (tromboembolismo venoso) sejam formados pela vacina contra a covid-19 da AstraZeneca”, diz comunicado.
De acordo com a nota, a conclusão segue uma revisão detalhada de casos bem como dados de internações hospitalares e foi confirmada pela Comissão de Medicamentos Humanos, um grupo consultivo independente do governo britânico, cujos cientistas e médicos especialistas também revisaram os dados disponíveis.
O comunicado informa ainda que está em curso uma revisão detalhada de cinco relatórios no Reino Unido de um tipo muito raro e específico de coágulo sanguíneo nas veias cerebrais que ocorre juntamente com plaquetas diminuídas. Segundo o governo, esses casos foram relatados em menos de 1 em 1 milhão de pessoas vacinadas até agora no Reino Unido.
“Recebemos um número muito pequeno de notificações de uma forma extremamente rara de coágulo sanguíneo nas veias cerebrais – trombose da veia sinusal – ocorrendo junto com plaquetas diminuídas logo após a vacinação. Este tipo de coágulo sanguíneo pode ocorrer naturalmente em pessoas que não foram vacinadas, bem como naquelas que sofrem de covid-19”, disse o executivo chefe da MHRA, June Raine.
Vários países europeus suspenderam o uso da vacina da AstraZeneca após a detecção de casos de coágulos sanguíneos, alguns deles fatais, em pessoas inoculadas com o imunizante. A farmacêutica defendeu sua vacina, observando que o número de casos de trombose em pessoas inoculadas é “significativamente menor do que o esperado”.
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) deve divulgar os resultados de sua investigação ainda hoje. O Comitê Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas da Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciará suas conclusões finais entre hoje e amanhã.