Outubro é única janela segura para Brasil exportar parte da cota uruguaia de carne à China

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

O Uruguai cederá parte de sua cota de 324 mil toneladas de carne bovina à China em 2026 ao Brasil, como disse o presidente Lula nesta segunda-feira (21) em encontro com o mandatário do país vizinho em Nova York. De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, esse montante será de, aproximadamente, 80 mil toneladas.

Contudo, o especialista chama atenção para o fato de, até o momento, não haver autorização dos asiáticos para que o Brasil utilize parte da fração uruguaia. “Qualquer operação depende da anuência chinesa e da definição de um mecanismo que permita contabilizar carne de origem brasileira dentro desse volume”, ressalta.

Segundo Iglesias, caso haja autorização, o principal desafio será o tempo. “Considerando trânsito marítimo entre Brasil e China de aproximadamente 45 a 60 dias, outubro seria praticamente a única janela segura para concentrar os embarques com internalização ainda em 2026.”

Janela logística
Foto: Divulgação Safras & Mercado

Ele salienta que embarques realizados a partir de novembro carregariam risco elevado de internalização somente em 2027, limitando a possibilidade de utilização integral das 80 mil toneladas neste ano.

“Em termos de capacidade exportadora, o volume é administrável pelo Brasil. O desafio estaria em originar, produzir e embarcar rapidamente essa quantidade. Como ordem de grandeza, 80 mil toneladas poderiam representar aproximadamente 320 mil a 400 mil cabeças de gado”, detalha Iglesias.

Segundo o analista, uma eventual autorização rápida poderia provocar recomposição das compras de boi-China durante outubro, justamente quando a indústria começa a preparar cargas destinadas à cota chinesa de 2027.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) também chamou atenção para o prazo limitado das remessas da proteína brasileira que, ocasionalmente, se aproveitariam da parcela cedida pelos uruguaios ainda neste ano em vista do tempo necessário para negociação, embarque e trânsito da mercadoria até a China.

“Para 2027, a medida pode representar uma alternativa importante, especialmente diante da cota brasileira de 1,128 milhão de toneladas e do risco de seu esgotamento já nos primeiros meses do ano, caso se mantenha o atual ritmo de vendas”, destacou a entidade.

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