Fazenda reduz projeção do IPCA de 2026 para 4,9%, mas índice segue acima do teto da meta

Fazenda reduz projeção do IPCA de 2026 para 4,9%, mas índice segue acima do teto da meta

O Ministério da Fazenda reduziu de 5,1% para 4,9% a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026. O dado consta no Boletim Macrofiscal publicado nesta terça-feira (22) pela Secretaria de Política Econômica (SPE). Mesmo com a revisão para baixo, a estimativa permanece acima do teto da meta de inflação, de 4,5%.

Segundo a SPE, a revisão foi motivada pelos resultados do IPCA até julho, que ficaram em parte abaixo do projetado anteriormente, especialmente no grupo de alimentação no domicílio e, em menor medida, no de serviços.

A secretaria também citou a melhora das expectativas de inflação para 2026, a manutenção da taxa Selic em patamar contracionista ao longo do ano e a desaceleração esperada da atividade econômica no segundo semestre de 2026.

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Ao mesmo tempo, o cenário considerado pela Fazenda mantém fatores de pressão sobre os preços. Entre eles está o El Niño, que, segundo a SPE, pode elevar os preços dos alimentos in natura ainda neste ano, com efeitos mais significativos concentrados na safra de 2027.

No ambiente externo, a intensificação do conflito no Oriente Médio elevou as incertezas sobre os impactos da alta do petróleo em outras cadeias produtivas. Entre as grades de julho e setembro, a cotação média do barril projetada para 2026 subiu de US$ 79,16 para US$ 87,70, alta de cerca de 10,8%.

A SPE informou ainda que a projeção para o IPCA não incorpora as medidas recentes de alívio nos preços dos combustíveis. Na gasolina, as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins foram reduzidas em R$ 0,63 por litro, em substituição à subvenção de R$ 0,44 por litro. No etanol hidratado, as duas contribuições foram zeradas, com redução tributária de R$ 0,19 por litro. Pelas estimativas da Fazenda, a desoneração da gasolina e do etanol hidratado, sem considerar a subvenção ao diesel, tem potencial para reduzir o IPCA em aproximadamente 0,15 ponto porcentual.

Para 2027, a projeção de inflação subiu de 3,6% para 3,8%. A SPE atribuiu a revisão aos efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra do próximo ano e apontou risco de elevação de preços das carnes com a possível reversão do ciclo pecuário e maior retenção de fêmeas.

No Boletim Macrofiscal, a Fazenda também revisou o INPC de 2026 de 5,3% para 5,1% e elevou a projeção de 2027 de 3,7% para 3,9%. Para o IGP-DI, a estimativa de 2026 passou de 5,6% para 5,0%, enquanto a de 2027 foi mantida em 4,0%. Para 2028, 2029 e 2030, a projeção é de inflação em 3,0%.

Fonte: Estadão Conteúdo

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