
A comemoração dos 100 anos da Universidade Federal de Viçosa (UFV) ganhou uma atração de grandes proporções, um doce de leite de aproximadamente 3,4 toneladas, produzido pelo Laticínios Viçosa e distribuído gratuitamente à população durante as celebrações do centenário da universidade.
O projeto surgiu a partir de uma sugestão de um estudante ao reitor da UFV, professor Demetrius David da Silva. A proposta era produzir um doce de leite que superasse o recorde de 2.886 quilos registrado no México. O desafio chegou à Fundação Arthur Bernardes (Funarbe), instituição de apoio à universidade, que acionou o Laticínios Viçosa para viabilizar a produção.
Segundo o gerente executivo do Laticínios Viçosa, Aristides Fialho Dias o principal obstáculo inicialmente foi o prazo, a equipe tinha cerca de 30 dias para planejar e executar toda a operação.
“Tínhamos 30 dias para organizar o evento. Então, esse foi o primeiro desafio. Além disso, tínhamos que mandar fabricar um tanque para caber essas 3 toneladas de doce, então esse foi outro desafio também, mas analisamos tudo e falamos: vai dar certo”, destacou Dias.
De acordo com Dias, a produção exigiu a fabricação de um tanque com capacidade para receber as toneladas de doce. O fornecedor inicialmente estimou três meses para entregar a estrutura, prazo incompatível com o evento, após negociações, o equipamento foi produzido em 15 dias.
Outro desafio foi desenvolver um sistema específico para transferir o doce da área de fabricação para o tanque. Como o produto seria transportado em uma temperatura mais baixa e, consequentemente, estaria mais denso, o sistema convencional utilizado na fábrica não poderia ser empregado.
A equipe de manutenção do Laticínios Viçosa desenvolveu então um sistema com pistão capaz de gerar vácuo e permitir a transferência do produto.

Para produzir o doce de leite foram utilizados aproximadamente 7.500 litros de leite, o volume correspondeu a um único lote, semelhante aos lotes que já fazem parte da rotina industrial.
A produção mensal da unidade gira em torno de 230 toneladas de doce de leite, com uma média de três lotes fabricados por dia. Para o evento, a expectativa inicial era produzir cerca de três toneladas, ao final do processo, foram obtidas aproximadamente 3,4 toneladas, um pouco a mais do que o esperado.
Depois da fabricação, o doce foi transferido por meio de uma tubulação para um grande tanque instalado sobre um caminhão. O peso foi verificado em uma balança rodoviária, que também passou por aferição exigida para a certificação do recorde.
O tanque foi então transportado por cerca de dois quilômetros até a região das Quatro Pilastras, entrada da UFV e local onde foi realizada a programação comemorativa.
Além da fabricação do doce em grande escala, a organização precisou desenvolver uma operação específica para o envase e a distribuição do produto ao público. O Laticínios Viçosa trabalhou em conjunto com a Vigilância Sanitária e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para estabelecer os procedimentos de segurança alimentar.
A preocupação estava relacionada principalmente ao fato de que o doce seria distribuído diretamente à população durante um evento com grande circulação de pessoas.“A gente se preocupou muito com isso. E assim, a gente conseguiu fazer algo seguro, organizado e com perda praticamente zero”, afirma Dias.
A equipe responsável pelo envase foi formada principalmente por funcionários do próprio laticínio, que já tinham experiência com os equipamentos utilizados no processo. O sistema desenvolvido para o evento permitia encher simultaneamente quatro potes.
Cada embalagem recebeu aproximadamente 350 gramas de doce de leite e foi fechada antes de ser encaminhada para a distribuição. Ao todo, cerca de 9.700 potes de doce de leite foram distribuídos gratuitamente.
“A gente enchia o potinho, já tinham quatro bicos, então enchíamos quatro por vez. E tudo automático, montamos o sistema automático, enchíamos o potinho de 350 gramas, colocávamos uma tampa e colocávamos numa mesa grande. E, dessa mesa, os voluntários, os funcionários iam distribuindo para a população através de uma fila que a vigilância da UFV estava organizando”, destacou Dias.
A regra estabelecida era de um pote por pessoa, foram organizadas filas específicas para idosos e crianças, enquanto voluntários e funcionários conduziam a entrega.
A programação do centenário reuniu uma quantidade de pessoas superior ao número de potes distribuídos. Dias estima que pelo menos 15 mil pessoas tenham passado pelo evento.
Parte do público participou da fila para receber o doce, enquanto outras pessoas acompanharam as demais atividades da programação, que incluiu apresentações musicais, barracas de alimentação e outras atrações.
De acordo com Dias, eles buscaram evitar situações comuns em eventos de distribuição de alimentos em grande escala, nas quais o produto pode ser contaminado ou desperdiçado durante a retirada pelo público.
Para estabelecer a referência do desafio, a equipe pesquisou os recordes registrados pelo Guinness World Records e identificou como marca anterior um doce de leite de aproximadamente 2,86 toneladas produzido no México.
O contato com o Guinness chegou a ser considerado, mas o prazo para a realização do evento não permitia a presença de representantes da organização no local.
Por isso, o processo de certificação foi conduzido pelo RankBrasil, empresa especializada em registros de recordes no Brasil. A documentação produzida durante a fabricação e o evento deverá ser encaminhada posteriormente ao Guinness para avaliação e eventual registro internacional.
De acordo com Dias, as pesquisas realizadas pela equipe indicam que as 3,4 toneladas produzidas em Viçosa superam a marca de 2,86 toneladas registrada no Guinness para a categoria consultada. A confirmação de um eventual novo recorde mundial, no entanto, depende da análise e validação da organização internacional.
Para além do recorde, Dias destaca que o Laticínios Viçosa mantém uma função ligada à formação prática de estudantes da universidade.
A unidade é utilizada pela UFV para atividades de ensino, pesquisa e extensão, permitindo que estudantes tenham contato com processos industriais e possam aplicar, na prática, conhecimentos trabalhados em sala de aula.
A intenção, segundo o gerente executivo, é ampliar essa atuação e fortalecer o papel do laticínio como espaço de formação e pesquisa.
“A ideia é continuar contribuindo com a formação desses estudantes, principalmente a formação prática, tudo que eles veem lá na academia, que eles possam ver na prática aqui”, afirma.
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