
O mercado brasileiro do boi gordo registrou uma semana de elevado spread entre os valores praticados para a arroba no mercado físico e futuro.
De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, esse cenário reflete uma expectativa de elevado potencial de alta na demanda no último trimestre do ano.
“A diferença entre os valores do mercado spot [setembro] e futuro [outubro] excedeu os R$ 20, mas a tendência é de que o mercado busque um ajuste de convergência nas próximas semanas”, pontua.
Iglesias ressalta que, de modo geral, o mercado físico do boi registrou negócios em patamares acima da referência média durante a semana, ainda que os frigoríficos de maior porte estejam operando com escalas de abate mais confortáveis, considerando a incidência de animais de parceria e até mesmo a utilização de confinamentos próprios.
“No entanto, os frigoríficos de menor porte ainda são obrigados a negociar de maneira mais contundente, diante de um quadro mais complicado na composição de suas escalas de abate”, contextualiza.
Por conta desse cenário, houve relatos de negócios pontuais a R$ 360 a arroba no interior de São Paulo, embora pouco representativos, embora a média no estado ainda se concentre entre R$ 350 e R$ 355 a arroba.
A expectativa de retorno da cota de exportação para a China a partir de outubro, o aumento de embarques aos Estados Unidos diante da oportunidade de 300 mil toneladas a serem compradas com tarifas reduzidas e o aumento da demanda doméstica por conta da injeção de receitas das eleições e das festas de fim de ano tendem a elevar os preços da arroba do boi.
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 17 de setembro:
Conforme Iglesias, o mercado atacadista registrou preços mais altos no decorrer da semana. A entrada dos salários na economia estimulou a reposição entre atacado e varejo durante a primeira metade do mês.
Entretanto, para a segunda quinzena, a expectativa é de menor intensidade do consumo. “A elevada competitividade dos cortes suínos e da carne de frango também limita o espaço para novos avanços da carne bovina, especialmente em um ambiente de menor poder aquisitivo das famílias”, pontua.

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 495,054 milhões em setembro (8 dias úteis), com média diária de US$ 61,881 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A quantidade total exportada pelo país chegou a 79,711 mil toneladas, com média diária de 9,964 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.210,50.
Em relação a setembro de 2025, houve baixa de 23% no valor médio diário da exportação, queda de 30,3% na quantidade média diária exportada e avanço de 10,5% no preço médio.
*Com informações de Safras News
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