Entropia x sintropia, que tipo humano você é? Cooperativas afugentam fome e miséria

força do cooperativismo
Foto: Pixabay

Duas forças se chocam ao longo da eternidade e do infinito como leis do universo. São poderosas forças que cooperam, porém, para efeitos totalmente opostos. Uma a entropia que aciona os fundamentos do caos, da destruição. A outra, sua antítese: a sintropia ativa as forças da criação.

Galáxias colidem com galáxias, estrelas explodem ou implodem, buracos negros sugam as energias, significa a entropia. Por outro lado, de galáxias que colidem, ou mesmo de grandes explosões, como o nosso “big bang”, originadora do universo conhecido, ocorre a criação.

Esse mesmo fenômeno vive dentro de nós, como na biologia, somos formados por cerca de 21 mil genes. Porém dentro do corpo humano existem milhões de genes de bactérias. Então o que é o bem e o mal? Apenas 2% dessas bactérias são malignas, 98% benéficas, logo o mal é quando o bem permite que o mal prolifere.

Viver na terra é um exercício cheio de incertezas, riscos, dores e sofrimentos. Não por culpa do planeta. Ele é bom. Suas mutações ocorrem ao longo de milênios e podem ser previsíveis. A dificuldade está exatamente na desorganização humana, na falta de planejamento orquestrado e organizado, e nas tentações egocêntricas, ausência de humanismo, humanidade, e na ainda distante aceitação do maior bem universal, o amor.

Podemos analisar a nossa própria vida, e aqui a pergunta que faço para todos nós: eu, você, nós, somos seres humanos entrópicos ou sintrópicos? Observando na nossa própria vida pessoal. Criamos amizades, geramos valor para muitos e não apenas para nós mesmos. Decidimos pelo certo, correto, ético mesmo em momentos de pressão quando as circunstâncias nos pediriam fraquejar nesses valores?

A cada um conforme a sua obra é um pressuposto da sabedoria milenar. “Amai-vos uns aos outros” e até uma música dos Beatles diz “the love you take is equal to the love you make” (O amor que você recebe é igual ao amor que você dá, em tradução livre).

E quando vamos para as organizações da sociedade, sejam nos 3 poderes constituídos, e nas entidades e associações representativas de toda sociedade civil organizada, assistimos ou não uma ordem mais voltada a entropia ou a sintropia?

Neste exato momento no mundo a polarização de uns contra os outros exibe com total evidência um ciclo ascensional da entropia. Em pleno século 21, países lançando bombas e drones militares contra populações de outros países ou regiões. Líderes de países ricos utilizando a tecnologia da internet para inundarem os celulares do mundo com propaganda de interesses mesquinhos, indignos e pleno de ambições “egomaníacas”. Desinformações, má informação, fake news.

Uma cooperação sintrópica criadora e positiva é representado pelo sistema cooperativista. As cooperativas seguem hoje regras, leis, fundamentos, compliance, fundamentos democráticos que não admitem a cooperação entrópica, destruidora e caótica.

O modelo cooperativista exige lideranças e governanças transparentes e totalmente comprometidas com o longo prazo das decisões e com aversão veemente ao risco. No Brasil, o modelo cooperativista já se encaminha para reunir 30 milhões de brasileiros e se aproxima de um movimento financeiro na casa de R$ 1 trilhão anual.

No mundo, a soma das cooperativas também significa a maior organização empreendedora do planeta, e observamos que onde existe uma boa cooperativa ocorre a prosperidade, e afugenta a entropia da fome, miséria e pobreza. Mas voltemos para dentro de cada um de nós: eu sou um ser humano na força das entropias ou na construção das sintropias?

O quanto criamos com o fundamento do amor mais nos coloca do lado da régua da criação. O quanto fazemos o bem ao invés de não fazer nada, jogando tempo fora, ou mesmo nos satisfazendo em simplesmente não fazer o mal, mais conquistamos valor no lado ativo da sintropia.

No oposto, maior fica nosso passivo destruidor concorrendo mesmo sem ter consciência para a vitória dos grupos destruidores, egocêntricos, obviamente das energias da entropia. E isso não irá se manifestar longe de cada um de nós. Muito ao contrário, saberemos ao longo da vida e no balanço final dela em qual time jogamos. E nossos familiares serão aqueles que mais irão absorver, seja este bem ou este mal.

Famílias da entropia x da sintropia. Nasce em casa, vem do berço, da educação. Ao trabalho, quem trabalha não tem tempo para reclamar e se vitimizar na vida.

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


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