Brasil pode ficar com até 40% da nova demanda dos EUA por carne e arroba do boi pode bater recorde

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Foto: Freepik

O Brasil pode ficar com 30% a 40% das 300 mil toneladas adicionais de carne bovina abertas pelos Estados Unidos, o equivalente a um volume entre 90 mil e 120 mil toneladas. A estimativa é de Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, em entrevista ao Canal Rural.

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Segundo Iglesias, as regras de elegibilidade adotadas pelos Estados Unidos colocam o Brasil em posição privilegiada para atender à nova demanda, voltada principalmente à carne magra e aos trimmings ( aparas utilizadas, entre outras finalidades, na produção de hambúrgueres).

“Estamos falando de 30% a 40%, então de 90 mil a 120 mil toneladas no melhor cenário. São volumes interessantes para o Brasil”, afirmou.

De acordo com o analista, tradicionais fornecedores do mercado norte-americano, como Argentina, Austrália, Uruguai e Nova Zelândia, possuem cotas próprias e não disputariam diretamente com o Brasil esse volume adicional.

Entre os países que podem concorrer pelo espaço estão Paraguai e nações da América Central, que, segundo Iglesias, possuem capacidade exportadora inferior à brasileira.

Por isso, o analista avalia que o Brasil tende a ser o principal beneficiado. A indústria brasileira, porém, ainda precisa avaliar a viabilidade das operações, especialmente porque os cortes demandados pelos Estados Unidos representam uma parcela limitada da carcaça e os preços do boi gordo permanecem firmes no mercado doméstico.

EUA podem ganhar protagonismo com menor demanda chinesa

A abertura de espaço nos Estados Unidos ocorre em um momento de redução das compras chinesas de carne bovina brasileira.

Para Iglesias, o mercado norte-americano pode ajudar a absorver parte dessa oferta, mas não tem capacidade de substituir integralmente a China como destino do produto brasileiro.

“Ajuda muito nesse momento em que a China está comprando menos carne brasileira, mas não substitui integralmente a China”, explicou.

Segundo o analista, em agosto, os Estados Unidos chegaram a superar a China nas compras de carne bovina brasileira. Na avaliação dele, enquanto a demanda chinesa estiver temporariamente reduzida, o mercado norte-americano tende a assumir maior protagonismo nas exportações brasileiras.

Arroba do boi pode atingir preços recordes

Apesar do aumento da demanda norte-americana, Iglesias avalia que o principal fator de sustentação da arroba do boi gordo continua sendo a mudança do ciclo pecuário brasileiro.

A expectativa é de menor disponibilidade de animais para abate no segundo semestre, mantendo o mercado físico firme.

No curto prazo, o analista descreve as cotações como firmes, mas ainda acomodadas, sem uma trajetória consistente de fortes altas no mercado físico. O mercado futuro, por outro lado, já registra avanços mais frequentes.

Para o último bimestre do ano, o cenário é mais favorável. Iglesias aponta uma combinação de oferta restrita de animais, aumento sazonal do consumo doméstico, forte demanda dos Estados Unidos e expectativa de retomada das exportações para a China, já considerando a cota de 2027.

“Nos últimos dois meses do ano, ainda temos a perspectiva de preços recordes para a arroba do boi gordo”, afirmou.

Segundo o analista, esses fatores tornam as perspectivas para novembro e dezembro promissoras, embora a valorização esperada ainda não tenha se refletido com a mesma intensidade no mercado físico.

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