
O Brasil testa uma plataforma que poderá ampliar a realização de pesquisas científicas em microgravidade e abrir novas possibilidades para áreas como a agricultura. A segunda fase da Operação Potiguar, realizada no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim (RN), avalia o sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R).
A missão ocorre até 19 de setembro e tem como objetivo verificar, em condições reais de voo, se a plataforma e o sistema responsável pelo retorno dos equipamentos à superfície funcionam conforme o planejado.
O ambiente de microgravidade permite estudar fenômenos de forma diferente do que ocorre na Terra. Para a agricultura, esse tipo de pesquisa pode contribuir para ampliar o conhecimento sobre processos biológicos e fisiológicos, além de apoiar o desenvolvimento de tecnologias que, no futuro, possam ter aplicações no setor.
Entre as áreas que podem se beneficiar dos experimentos estão agricultura, biologia, estudos de materiais, fluidos, combustão e medicamentos.
A realização de experimentos fora das condições terrestres permite aos pesquisadores observar como organismos e materiais se comportam em um ambiente com gravidade muito reduzida.
No caso da agricultura, esse conhecimento pode ajudar a compreender processos biológicos e avaliar possibilidades relacionadas ao cultivo de plantas em ambientes controlados, especialmente em missões espaciais de longa duração.
A chamada agricultura espacial é considerada estratégica para futuras missões que exigem produção de alimentos fora da Terra. Estudos realizados em microgravidade podem contribuir para o desenvolvimento de sistemas capazes de produzir plantas em condições diferentes das encontradas no campo.
A plataforma brasileira está vinculada ao Programa Microgravidade, da Agência Espacial Brasileira (AEB), que seleciona experimentos científicos e tecnológicos para voos suborbitais e orbitais.
A PSM-R será lançada pelo veículo de sondagem VS-30 V16, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). O foguete tem aproximadamente 9 metros de comprimento, 600 milímetros de diâmetro e massa de cerca de 1,6 tonelada.
As simulações utilizadas na preparação da missão indicam que o veículo poderá atingir aproximadamente 100 quilômetros de altitude e percorrer cerca de 90 quilômetros. A carga útil, formada pela plataforma de microgravidade, tem massa estimada em 401 quilos.
Durante o voo, os equipamentos serão acompanhados por sistemas de telemetria e rastreamento. Após o retorno, os pesquisadores poderão analisar a plataforma e os experimentos realizados.
Esse processo de recuperação é justamente o principal foco da segunda fase da Operação Potiguar. A primeira etapa, realizada em 2024, concentrou-se na verificação de procedimentos e sistemas relacionados ao lançamento.
A possibilidade de recuperar a plataforma é importante para o desenvolvimento de futuras missões científicas. Com os equipamentos de volta à superfície, os pesquisadores podem analisar diretamente os experimentos e os dados obtidos durante o período de microgravidade.
A plataforma reúne sistemas de funcionamento e recuperação, incluindo paraquedas, módulos para experimentos, controle, sistema de gás frio, anéis de balanceamento e um mecanismo chamado ioiô, utilizado para auxiliar no controle da velocidade de rotação antes da separação da carga útil.
A missão envolve cerca de 160 militares e servidores civis, responsáveis por atividades de preparação, integração, lançamento e recuperação.
O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno também coordena os procedimentos de segurança, rastreamento e telemetria do veículo. Inaugurado em 1965, o CLBI foi o primeiro centro de lançamentos espaciais da América do Sul.
A estrutura já participou de mais de 400 lançamentos de foguetes e acompanhou mais de 3 mil veículos, segundo a Força Aérea Brasileira (FAB).
Embora a Operação Potiguar 2 tenha como foco imediato testar a recuperação da plataforma, a estrutura pode representar um avanço para a pesquisa brasileira em microgravidade e, no futuro, ampliar o espaço para experimentos relacionados à agricultura e à produção de alimentos em ambientes extremos.
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