
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está em uma nova ofensiva contra a concentração do setor de carnes no país, onde quatro empresas – JBS, Tyson Foods, Cargill e National Beef – concentram cerca de 85% do processamento de carne bovina. O governo estuda reduzir barreiras para pequenos produtores e frigoríficos, enquanto mantém uma investigação antitruste sobre o setor.
Atualmente, o rebanho bovino americano está no menor nível em 75 anos, com a oferta apertada e os preços da carne muito elevados. Em resposta, Trump ampliou temporariamente em 300 mil toneladas a cota de importação de carne bovina magra com tarifa reduzida, entre setembro e novembro.
Segundo o comentarista Miguel Daú, essa situação revela uma contradição nas ações de Trump, que busca proteger os pecuaristas americanos enquanto aumenta as importações para baixar os preços da carne para o consumidor. Essa estratégia ocorre em um momento delicado, com a inflação pressionando os preços e a popularidade de Trump em baixa.
Trump enfrenta pressão para justificar o aumento dos preços da carne, que subiu 10%. Ele tenta desviar a culpa para as grandes empresas do setor, enquanto busca apoio do setor agropecuário. A ampliação das importações de carne pode ser vista como uma tentativa de reduzir os preços antes das eleições, mas especialistas alertam que isso pode não ser suficiente.
Além das implicações políticas, a situação atual pode representar uma oportunidade para o Brasil, que possui carne de qualidade para exportação. O país pode se beneficiar da demanda americana, especialmente em um momento em que a União Europeia suspendeu importações de carne do Brasil.
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