Caiado critica política econômica, chama arcabouço fiscal de piada e promete Plano Safra plurianual

O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, foi o segundo entrevistado da série de conversas com os candidatos ao Palácio do Planalto promovida pelo Canal Rural e pelo BDM. A entrevista foi exibida nesta sexta-feira (28) e conduzida por Antônio Petrin, com participação do comentarista do Canal Rural Miguel Daoud e da editora-chefe do BDM, Rosa Riscala.

A ordem das entrevistas foi definida por sorteio realizado em 27 de julho, na presença das assessorias das campanhas. A série reúne os seis candidatos mais bem posicionados nas principais pesquisas de opinião.

Médico, produtor rural e ex-governador de Goiás, Caiado já exerceu cinco mandatos como deputado federal e um como senador. Na entrevista, apresentou propostas para o agronegócio e a economia, criticou a condução das contas públicas pelo atual governo e classificou o arcabouço fiscal como “uma piada”.

O candidato afirmou que pretende estabelecer limites para o crescimento das despesas públicas, defendeu uma nova discussão sobre a Previdência e apontou a redução dos juros como uma das prioridades de um eventual governo. No agronegócio, propôs planejamento de longo prazo para o Plano Safra, ampliação do seguro rural, investimentos em logística e medidas para reduzir a dependência brasileira de insumos importados.

Confira a entrevista na íntegra:

Canal Rural/BDM — Como o senhor se apresenta hoje ao eleitor nessa condição de candidato à Presidência?

Ronaldo Caiado — Primeiro, agradecer ao Canal Rural pela oportunidade que é dada a nós, como presidenciáveis, de podermos mostrar a nossa experiência de vida, não só no setor, mas também na vida pública brasileira. Foram cinco mandatos de deputado, um de senador e dois de governador. E o que eu trago aqui não é apenas teoria. O que eu trago é exatamente a experiência de 40 anos na vida pública, e nunca ninguém me viu participar ou estar envolvido em escândalos ou em negociatas.

Sou um homem que sempre defendeu o setor rural. Eu me apresento como pai de família, produtor rural com muito orgulho, médico, cirurgião, ortopedista e, ao mesmo tempo, um político que sempre respeitou o voto de todos os meus eleitores.

Agora eu me sinto preparado para poder governar o país com aquilo que acumulei como serviço prestado e com a possibilidade de corrigirmos este momento tão dramático que vive o país, com endividamento altíssimo em todos os segmentos, taxas de juros insuportáveis e a criminalidade se expandindo em todo o território brasileiro.

O setor rural se esforça, enfrenta as maiores adversidades e hoje passou a ser referência no mundo em produtividade. Mas, em renda, infelizmente, o produtor rural tem perdido muito e não tem tido aquilo que tanto deseja, que é poder ter uma economia estável para continuar produzindo.

Canal Rural/BDM — Quais seriam as prioridades do seu governo para o agronegócio? O que faria de diferente em relação aos últimos governos?

Ronaldo Caiado — Primeiro, eu tenho uma experiência enorme em relação à discussão que envolve agricultura e pecuária. Eu chamaria, como é minha característica de governar, todas as entidades ligadas ao setor, sabendo que o Brasil é diferente de acordo com suas regiões e demonstrando a realidade que o país passa naquele momento.

O que o setor deseja é aquilo que nós sabemos bem: um plano plurianual. Eu não posso pensar em plantar uma safra em setembro, outubro e, de repente, chegar em junho, julho e não saber ainda qual é o Plano Safra. A demanda nossa sempre foi esta. Caberá ao presidente da República dizer: “Vamos projetar para três, cinco anos. É possível? Vamos construir isso diante de todas essas dificuldades que estamos vivendo”.

Nós estamos vendo a China projetar para dez anos. E nós, brasileiros, temos dificuldades com crédito, renegociação das dívidas e insumos. O Brasil simplesmente lava as mãos e deixa o setor dependendo do estreito de Ormuz, da guerra com a Ucrânia, e não implanta nenhum projeto estruturante para o país.

Você não tem um seguro agrícola funcionando até hoje, porque ele é contingenciado todo ano. Então você tem um produtor rural que é jogado à própria sorte. Não temos previsibilidade nem no momento do plantio e da safra, muito menos do resultado dela, e o risco cai todo em cima do produtor rural.

Não existe uma varinha mágica para dizer o que vai fazer. Agora, vale muito a experiência que nós acumulamos. Nós já renegociamos dívidas. Foram momentos críticos. O Brasil produzia 60 milhões de toneladas de grãos e hoje produz 350 milhões. No entanto, a parte do Estado, do governo, não avançou: logística, armazenagem, condições de insumos para o setor e linhas de crédito compatíveis com o resultado final.

Canal Rural/BDM — O produtor enfrenta juros altos, problemas de logística, falta de seguro, custos elevados e preços pressionados. Como resolver o problema fiscal do país para evitar que esses efeitos continuem chegando ao campo?

Ronaldo Caiado — Essa eleição, o divisor de águas vai ser exatamente a postura moral do candidato à Presidência da República. Se você chegar lá amanhã e não tiver autoridade para fazer essas mudanças todas, realmente vai ter um agravamento do quadro.

Hoje você vê uma taxa de juros insuportável para qualquer setor. Não é só o setor rural que está quebrado. É varejo, comércio, indústria, pequeno produtor, médio empresário, empresário individual.

Não existe economia no mundo que viva com uma taxa de juros real de 9%. Não precisa ser economista: qualquer um vai ser rentista. Por que eu vou plantar, jogar semente no chão sem saber se vou ter a safra e, no entanto, posso deixar no banco e ter 9% garantido mais inflação?

Então, esse é o primeiro ponto de ataque de um presidente da República: baixar isso. E se consegue com choque de responsabilidade, choque de credibilidade. Você baixa esse patamar. O que falta no país é autoridade moral e credibilidade junto ao mercado, para o mercado dizer: “Olha, o governo vai conter suas despesas”.

Vou encaminhar uma emenda à Constituição estabelecendo um limite. Você não precisa descobrir nenhum artifício matemático para entender o que é dívida/PIB. Você vai ver se eu realmente estou cumprindo a palavra ou não.

Canal Rural/BDM — Como seria a relação com o Congresso para aprovar essas mudanças?

Ronaldo Caiado — Eu fui congressista por seis mandatos. Todo governante incompetente, preguiçoso, joga a culpa no Congresso, no Supremo, no Ministério Público. Isso é característico de político preguiçoso, sujeito que não quer trabalhar e acha culpa em todo mundo.

O presidente da República, com as prerrogativas que tem, chama o presidente da Câmara, chama o presidente do Senado, chama os líderes partidários, senta e diz: “Olha, nós temos que evoluir para essa política aqui”.

Você não pode estar na cadeira da Presidência brigando com o presidente dos Estados Unidos, com o presidente do Paraguai, com o presidente da Câmara, com o presidente do Senado. O Brasil não quer briga inútil. O produtor rural quer uma briga que resolva o problema dele.

E qual é o problema dele? Você não pode mexer no preço, porque isso é internacional, é lei de mercado. Tem que mexer no insumo a preço menor. Tem que ter seguro. Tem que ter uma previsibilidade mínima de um plano de governo com sustentabilidade por três ou cinco anos. Tem que ter medidas que deem competitividade nos portos, nas rodovias e nas hidrovias.

Isso tudo não vai acontecer de um dia para o outro, mas pelo menos eu implantarei políticas estruturantes no país.

Canal Rural/BDM — O senhor propõe estabilizar a dívida pública. O que seria possível cortar? E mudaria o atual arcabouço fiscal?

Ronaldo Caiado — Sem dúvida. O arcabouço fiscal é uma piada, porque o governo frauda o arcabouço fiscal toda hora. Toda hora que quer fazer um benefício politiqueiro, simplesmente exclui aquilo do arcabouço fiscal.

Você vê o Brasil, nesse curto espaço de tempo, explodir na dívida. Aumentar 11, 12 pontos percentuais na relação dívida/PIB. Isso é mais de R$ 1,3 trilhão. Onde foi aplicado esse dinheiro? O que rendeu de riqueza para o país? Nada. Ele gerou taxa de juros alta e, como tal, toda a população está contaminada em todos os segmentos.

O que nós propusemos está no nosso plano de governo. Todo mundo tem que respeitar o reajuste do valor pela inflação, mas não pode acrescer a ele todo o crescimento do PIB. Respeitaremos aquele percentual da inflação, que é a correção, mas haverá um limite para o crescimento dos gastos.

Você pergunta qual é a área na qual vou fazer essa redução. Eu tenho que dizer a você que não só eu, mas nenhum que esteja fora do governo tem todos esses dados. Então eu não saberia dizer qual é o ponto específico.

Eu sei dizer a medida geral: ela vai atingir a análise de subsídios, incentivos e políticas existentes. Pelos cálculos que fizemos, podemos chegar em 2030 com uma relação dívida/PIB dois ou três pontos percentuais menor. Todos os investidores disseram a mim: “Se isso acontecer, se você cumprir isso, nós investiremos no Brasil de novo”.

Canal Rural/BDM — O senhor considera necessária uma nova reforma da Previdência?

Ronaldo Caiado — Todos nós sabemos de uma coisa que está clara. Você fez um modelo de Previdência quando a previsão de vida do brasileiro era de 55 anos. Hoje já estamos com uma expectativa de 76 anos, avançando muito mais.

Você tem uma condição de vida muito mais longa e tem hoje pessoas com tratamentos que são muito mais caros. Você tem doenças cardíacas, problemas vasculares e uma quantidade maior de câncer atingindo a sociedade. Tudo isso com custo altíssimo.

A Previdência precisa ser rediscutida. Este modelo em que um trabalha para o outro, essa condição já não suporta mais, porque o Brasil já perdeu esse bônus demográfico e esse envelhecimento é real.

Canal Rural/BDM — Então o senhor é favorável a uma nova reforma?

Ronaldo Caiado — Não é uma questão de eu ser a favor. Essa matéria não vai interferir neste momento no ajuste fiscal, porque existe direito adquirido. Então isso vai ser uma resposta para daqui a anos. Mas nós temos que pensar o Brasil para a frente.

Isso não vai ser uma discussão imediata no ajuste fiscal. A reforma administrativa, uma reforma da Previdência, vão dar resultado lá adiante. O que nós estamos colocando como prioridade são as despesas do governo. Elas é que têm que ser contidas neste momento.

Canal Rural/BDM — E o salário mínimo deve continuar sendo usado como indexador dos benefícios previdenciários e sociais?

Ronaldo Caiado — Esse é o modelo que vai ser colocado: vai ter caixa para isso ou não vai? Isso não é uma decisão pessoal. Você tem que chamar toda a população para dizer: “Olha, o que a população não aceita?”. É você vir mexer na regra da Previdência se, ao mesmo tempo, não tiver coragem de enfrentar a corrupção.

O que você tem de salários estratosféricos hoje são bilhões de reais. Então, o que a sociedade quer é que um governante primeiro dê o bom exemplo, primeiro corte na carne e, depois, venha chamar todos nós para conversar.

Foi assim que fiz no meu estado. Resgatei o equilíbrio fiscal e mostrei que equilíbrio fiscal não é, em hora nenhuma, adversário de políticas sociais, nem do desenvolvimento da educação, nem do investimento na saúde ou na segurança pública.

Canal Rural/BDM — Como enfrentar o peso das despesas obrigatórias e da Previdência sobre as contas públicas?

Ronaldo Caiado — A realidade é muito mais ampla. Você não pode ter uma fixação em achar que todo o mal está no aposentado. Você tem também os subsídios, que chegam a centenas de bilhões de reais.

Existe uma fixação nossa em querer achar que todo mal está ali no aposentado e, no entanto, ninguém quer discutir essas outras situações das quais o Brasil abre mão.

E outra: o Brasil até hoje não tem uma política de geração de riqueza. O problema é quando você tem um governo sem política estruturante para fazer a economia crescer. Você fica cada vez mais preso numa realidade de incompetência.

O Brasil tem uma chance ímpar de gerar riqueza e aumentar sua capacidade. O Brasil está engessado dentro de uma política primária. Nós exportamos minério de ferro, terras raras, nióbio e matérias-primas sem que sejam industrializadas.

Eu quero o produto terminado. Quero as nossas terras raras gerando bateria, semicondutores, aparelhos de medicina, turbinas eólicas. Eu quero conhecimento, ciência. Se você ficar nessa mediocridade de vender matéria-prima, nós vamos continuar nessa fase primária.

Canal Rural/BDM — Como transformar esse diagnóstico em medidas concretas em um eventual governo?

Ronaldo Caiado — Eu sou cirurgião. Você me traz um cidadão com um problema na coluna, que é a minha especialidade. Você quer que eu diga agora, sem examinar o doente, qual é a técnica cirúrgica que vou usar?

Eu estudei, sei várias alternativas para operar um paciente de acordo com o quadro dele. Da mesma maneira, você está querendo dizer: “Chegando à Presidência, você vai fazer isso, isso e isso”. Não. Eu vou fazer depois que examinar o meu doente, depois que vir a realidade dele.

Como é que você vai confiar em dados que você não tem? Eu só posso dizer o que vou fazer, qual é a prática que vou desenvolver e qual metodologia vou aplicar tendo exatamente aquele dado estudado.

E não pelo Ronaldo Caiado sozinho. Eu vou trazer as melhores cabeças, consultar todos os segmentos que estarão envolvidos em cada um dos temas, como fiz no governo, para que a gente possa buscar um resultado.

Canal Rural/BDM — Apenas uma pequena parcela da área agrícola brasileira conta com seguro rural. Qual modelo o senhor adotaria para ampliar essa cobertura?

Ronaldo Caiado — A gente tem que ter humildade na vida de chegar a um governo e não ter a petulância de dizer: “Eu sei tudo, vou fazer isso, vou fazer aquilo”. Não. Eu me assessoro. Busquei as melhores cabeças do Brasil para me assessorar como governador. Se o meu secretário não souber muito mais do que eu, eu demito.

Um presidente da República tem que saber compor o ministério para que tenha bases científicas. Não é no achismo. Eu não falo em achismo.

Canal Rural/BDM — Como produtor, o senhor tem seguro rural?

Ronaldo Caiado — Eu não tenho seguro rural. Eu corro o risco por não ter um seguro rural, porque ele está num patamar totalmente incompatível. Você não tem nem lucratividade, mesmo em uma safra boa, para suportar esse preço.

Então hoje nós temos uma política que precisa ser feita. Agora, como é que você vai fazer? É o modelo americano? É o modelo espanhol? Eu não sei.

Eu vou buscar. Não vou chegar aqui e falar: “O modelo vai ser esse, nós vamos descontingenciar tanto”. Eu tenho uma taxa de equalização que posso usar para o custeio agrícola, mas posso pegar esse dinheiro do Tesouro que é usado para equalizar o custeio e passar para equalizar o seguro? Então, calma.

Eu sou um gestor. Não tenho essa ideia e nem esse hábito de achar que sou um iluminado. Eu tenho humildade para chamar pessoas de boas cabeças para que elas mostrem como podemos sair daquele problema.

Canal Rural/BDM — Seu plano prevê elevar a taxa de investimento no país. Como pretende atrair o setor privado? Haveria também aumento do investimento público?

Ronaldo Caiado — O que eu escuto de todo empresário no Brasil é o seguinte: “Olha, Caiado, se essa taxa [de juros] vier a patamares suportáveis, nós entramos. Agora, eu não vou comprar todo esse maquinário, toda essa estrutura por bilhões de reais, onde eu não teria a menor rentabilidade”.

Então, o que você está vendo é uma fuga do investimento no Brasil e o cidadão vira rentista. O que precisa hoje é alguém que tenha credibilidade, que o mercado entenda que a pessoa tem palavra, cumpre a palavra e toma conta das contas.

É aí que você resgata o equilíbrio fiscal. Eu vejo, sim, o investidor privado entrando e ampliando os investimentos no Brasil.

Canal Rural/BDM — Como o senhor avalia a política comercial brasileira e o atual impasse com os Estados Unidos?

Ronaldo Caiado — Eu tenho ficado muito preocupado. Eu ainda convivi com um Itamaraty e uma chancelaria brasileira que eram referência para nós brasileiros. Quando chegavam à ONU, aos grandes debates internacionais, sempre com muito equilíbrio, bom senso, sem provocação.

Hoje, o Itamaraty brasileiro virou um braço partidário. Ele tinha que ser aquilo que sempre foi: de comércio, de abrir mercado, de pacificar.

A primeira coisa que eu vou fazer é pacificar o Brasil. Vou acabar com essa conversa de ficar um brigando com o outro, porque isso é a energia que sustenta a mediocridade.

Você pacifica o país e o Itamaraty vai cuidar das renegociações, vai abrir mercado. Os chanceleres negociam, o presidente senta, faz o acordo, conversa. Não é brigando que você faz.

A minha posição e as minhas convicções ideológicas não têm que interferir. Eu tenho que ser um presidente para abrir mercado, seja na África, na Ásia, na Austrália, na Oceania, nos Estados Unidos, seja onde for. Eu tenho que buscar mercado. Não tenho que estar arrumando briga.

Canal Rural/BDM — Na sua avaliação, o que está por trás do posicionamento dos Estados Unidos em relação ao Brasil?

Ronaldo Caiado — Eu jamais, como presidente da República, no momento em que o Trump foi eleito, começaria dizendo que ia trabalhar para desdolarizar a economia mundial. Essa é uma provocação inicial.

Outra coisa: você tem que entender que a Presidência tem uma liturgia própria. A liturgia da Presidência não autoriza um presidente a opinar sobre candidatura em outros países. Como presidente da República, você tem que ter a liturgia da Presidência. Você não é pessoa física, você representa o país.

Tem toda uma regra diplomática. O que está virando é uma esculhambação. Um fala mal do outro, o outro responde. Isso não é política, não é maneira de governar um país.

No momento em que você tem o Itamaraty com boas cabeças, vai pacificando esse processo. É isso que tem que ser feito.

Canal Rural/BDM — É possível negociar dessa forma com Donald Trump?

Ronaldo Caiado — Eu não estou falando que seja fácil. Agora, estou dizendo que, quando você vê um movimento como esse, não tem motivo para querer alegar que está tomando uma atitude de reciprocidade porque estaria defendendo a soberania brasileira.

Quando você vai tratar de um assunto como esse, de um país que é o maior investidor no Brasil, tem que balancear as coisas. Eu não sou a favor também de querer brigar com Xi Jinping. Por que vou brigar com Xi Jinping?

A União Europeia não está colocando cotas? O México não está colocando outra cota? Neste momento, a gente quer enxergar só os Estados Unidos. Vamos enxergar a amplitude toda do mundo.

Existe hoje no mundo uma política de certa defesa do seu próprio patrimônio. Está destruindo a globalização. Você vai falar: “Trump foi responsável por isso”. Sim, concordo. Ele deu esse passo de dizer: “Vou cuidar do meu espaço”. Tudo bem. Mas eu não vou arrumar briga. Vou levar muito mais para o diálogo e para o entendimento.

Canal Rural/BDM — Qual é a importância da segurança jurídica para recuperar investimentos no país?

Ronaldo Caiado — Isso é fundamental. Todos nós estamos indignados com muitas decisões que são tomadas pelo Supremo. Não é possível que o Supremo, como guardião da Constituição, produza decisões monocráticas que venham desrespeitar toda uma lógica no nosso país ou trazer essa ansiedade sobre a estabilidade dos contratos.

A insegurança jurídica é um fato que também depõe contra o Estado Democrático de Direito. Essa é a verdade.

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