
A carne bovina brasileira, couros, peles e outros subprodutos de origem animal, não foi inclusa na sobretaxa de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos no âmbito das medidas relacionadas às investigações sobre trabalho forçado e anunciada nesta quinta-feira (23).
A exclusão foi confirmada após o Escritório Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) publicar os anexos com os produtos que não serão atingidos pela nova cobrança.
Embora o Brasil estivesse incluído entre os países sujeitos à tarifa adicional, os principais produtos da cadeia pecuária nacional foram preservados porque são consideradas “matérias-primas cuja taxação possa provocar escassez no mercado norte-americano”, conforme expresso no documento. Os Estados Unidos convivem atualmente com o menor rebanho bovino dos últimos 70 anos.
Conforme informações da CNN, com a decisão, a proteína brasileira continuará seguindo o regime comercial já existente com o país norte-americano, incluindo o sistema de cotas tarifárias.
Já a exclusão dos couros bovinos, peles e outros couros de origem animal da lista de produtos tarifados atende a demandas da indústria norte-americana, como a automotiva e a de calçados, que utilizam o produto brasileiro como matéria-prima .
O anexo publicado pelo USTR também cita que ficam isentos insumos e subprodutos de origem animal destinados à fabricação de rações para bovinos, aves, animais de estimação e aquicultura.
A isenção da carne bovina da sobretaxa de 12,5% chama a atenção pelo fato de o governo Trump ter relatado, no âmbito das investigações de trabalho forçado, incômodo com a relação comercial do Brasil com a China. “As exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China superaram em muito as exportações norte-americanas, que vêm apresentando uma tendência de queda”, diz o texto do USTR.
O relatório do órgão alega que o trabalho forçado em propriedades rurais ajudou a dobrar as exportações brasileiras de carne para países investigados entre 2015 e 2025. “É notório que o trabalho forçado é utilizado na produção de gado no Brasil”, diz o documento.
Já o governo federal brasileiro contesta a investigação norte-americana e critica as sanções unilaterais. Documento assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ressalta que as acusações da Casa Branca podem prejudicar políticas internas de combate ao trabalho escravo.
O Itamaraty afirmou que a cobrança é incompatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e ressaltou que o Brasil traz o conceito de “condição análoga à de escravizado” no Código Penal e elabora a “lista suja” para combater a prática.
O relatório Global Slavery Index, apresentado em 2023 ao G20 pela fundação Walk Free Brasil, mostra que os Estados Unidos adquirem do exterior 30 vezes mais produtos sob risco de trabalho forçado que o Brasil. Isso porque os norte-americanos importam a cada ano cerca de US$ 169,6 bilhões de mercadorias com esse tipo de suspeita, enquanto o Brasil compra aproximadamente US$ 5,6 bilhões.
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