
Estudo da consultoria Rumo Brasil identificou que transportadoras especializadas em produtos do agro poderão ter aumento médio de 414,44% na carga tributária com a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista na Reforma Tributária.
A análise foi baseada em dados reais de empresas associadas à Associação Nacional das Empresas Agenciadoras de Transporte de Cargas (ANATC), considerando as operações realizadas ao longo de 2025. Com base nesse cenário, a consultoria estima um impacto financeiro superior a R$ 144 milhões.
“O debate sobre a Reforma Tributária tem sido marcado por muitas interpretações e projeções, mas ainda havia pouca informação baseada em dados concretos das empresas. Nosso objetivo foi justamente transformar essa discussão em números, permitindo que o setor compreenda, de forma prática, os efeitos da nova legislação sobre suas operações”, afirma o CEO da Rumo Brasil, Rafael Brito.
O estudo foi desenvolvido ao longo de três meses e utilizou obrigações acessórias, documentos fiscais, demonstrações contábeis e controles internos das empresas participantes.
A análise considera exclusivamente os efeitos da CBS, tributo que substituirá PIS e Cofins, sem incluir o IBS, cuja implementação ocorrerá de forma gradual e possui regras próprias de creditamento.
Segundo a pesquisa, as empresas avaliadas somam faturamento de R$ 6,6 bilhões e cerca de R$ 5 bilhões em subcontratações, fator que se mostrou determinante para o aumento da carga tributária projetada em função das novas regras de aproveitamento de créditos fiscais.
“A subcontratação é uma característica estrutural do transporte rodoviário de cargas, especialmente no agronegócio. Quando a dinâmica de aproveitamento desses créditos muda, o impacto financeiro se torna bastante relevante para empresas que já operam com margens reduzidas e elevada pressão por eficiência”, detalha Brito.
O levantamento aponta mudanças significativas na gestão tributária das transportadoras que vão além do impacto financeiro. Isso porque o novo modelo amplia a importância do controle documental, tornando cada contratação, documento fiscal e operação fatores diretamente relacionados à correta apuração dos tributos e à competitividade das empresas.
Como o transporte rodoviário está presente em praticamente todas as cadeias produtivas, o estudo também alerta que o aumento dos custos tende a se refletir em embarcadores, indústrias, distribuidores e, posteriormente, no consumidor final.
“A Reforma Tributária representa uma transformação que vai muito além do pagamento de impostos. As empresas precisarão revisar processos, contratos e estratégias para se adaptar a um ambiente mais complexo. Quanto antes essa preparação começar, maiores serão as condições de reduzir riscos e preservar a competitividade”, finaliza o CEO da consultoria.
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