Chuva persistente no Sul deve travar trabalhos nas lavouras, diz meteorologista do Canal Rural

chuva sobre campo soja tempo
Foto: Pixabay

O excesso de chuva no Sul do Brasil deve continuar impondo dificuldades às atividades no campo nas próximas semanas.

Segundo o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, a atuação de um rio atmosférico mantém a previsão de temporais, com acumulados superiores a 100 milímetros em diversas áreas, cenário que tende a atrasar operações agrícolas e elevar os riscos de alagamentos

A situação mais crítica segue no Rio Grande do Sul, onde o solo já está saturado após dias consecutivos de chuva intensa.

“Nas próximas 48 horas, teremos chuvas passando de 100 milímetros no centro-norte do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no sul do Paraná, que devem prejudicar os trabalhos em campo e também deixam essas áreas sob alerta para alagamentos e deslizamentos de terra, especialmente no Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina e sul do Paraná”, afirmou Müller, durante o Mercado & Companhia desta segunda-feira (20).

Chuva de um mês em apenas dois dias

Os volumes registrados nos últimos dias ajudam a explicar a preocupação. Em Quaraí (RS), foram 141 milímetros de chuva nas últimas 48 horas, enquanto Rosário do Sul acumulou mais de 100 milímetros no mesmo período.

Segundo o meteorologista, esse volume equivale praticamente à média esperada para todo o mês de julho.

“É uma época do ano em que o esperado para o mês inteiro é entre 100 e 120 milímetros. Em apenas dois dias já choveu o equivalente ao esperado para o mês inteiro, e ainda tem chuva nas próximas 48 horas.”

Além dos elevados acumulados, o estado segue sob risco de temporais com granizo, rajadas de vento superiores a 100 km/h e possibilidade de microexplosões atmosféricas.

Solo saturado aumenta preocupação

No campo, a principal preocupação é a dificuldade de acesso às áreas de produção. Com o solo encharcado, operações como manejo das lavouras de inverno, pulverizações, adubações e outras atividades mecanizadas podem ser interrompidas ou sofrer atrasos.

O excesso de umidade também favorece problemas de erosão, dificulta o escoamento da água e aumenta o risco de alagamentos em áreas produtivas.

Segundo Müller, o cenário ainda está longe de uma normalização. “O solo está saturado no Rio Grande do Sul e ainda teremos chuva volumosa nos próximos dias”, alertou.

Instabilidade deve persistir até o fim do mês

Embora a chuva avance também sobre Santa Catarina, oeste do Paraná e sul de Mato Grosso do Sul, o Rio Grande do Sul deve continuar concentrando os maiores acumulados.

A previsão indica uma breve redução das precipitações antes da chegada de uma nova frente de instabilidade na última semana de julho.

“Vamos ter uma pequena pausa de cerca de quatro dias e, depois, mais 100 a 150 milímetros de chuva voltam para o Rio Grande do Sul. Até o fechamento do mês de julho, vamos ter problemas com chuva no estado gaúcho”, disse.

De acordo com o meteorologista, uma mudança mais consistente no padrão do tempo, com o retorno de uma massa de ar frio mais intensa e redução das chuvas, só deve ocorrer no início de agosto. Até lá, produtores rurais da região Sul devem continuar enfrentando dificuldades para realizar as atividades no campo diante da sequência de temporais e da persistência do solo encharcado.

O post Chuva persistente no Sul deve travar trabalhos nas lavouras, diz meteorologista do Canal Rural apareceu primeiro em Canal Rural.