Governo amplia monitoramento do El Niño sobre a safra 2026/27

FGV estima perda de 7% a 10% em soja, milho, café e laranja com El Niño muito forte

O governo federal intensificou o acompanhamento dos potenciais efeitos do El Niño sobre o setor agropecuário, com foco em medidas preventivas aos produtores e no monitoramento de pressões sobre os preços dos alimentos. A estratégia também inclui a revisão orçamentária de instrumentos de proteção, como o seguro rural, diante da expectativa de um episódio forte entre julho e setembro.

Em Brasília, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu um grupo de trabalho para avaliar os impactos do fenômeno climático. A equipe terá como atribuições mapear vulnerabilidades regionais e setoriais, propor estratégias de mitigação e indicar instrumentos de proteção ao produtor rural. A análise abrangerá regiões geográficas e culturas como soja, trigo, milho, feijão, cana-de-açúcar, café e mandioca.

O grupo também deverá elaborar um relatório com estratégias de adaptação e mitigação, plano de trabalho e cronograma de ações. Participam do colegiado o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). No governo, a avaliação preliminar é de que mecanismos de gestão de risco, como o seguro rural, precisam ser reforçados.

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Neste ano, o orçamento do seguro rural teve contingenciamento superior a 53%, e os recursos para subvenção ao prêmio caíram para R$ 473,8 milhões. Segundo o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos, a discussão sobre o seguro foi retirada do lançamento do Plano Safra para ser tratada dentro de uma análise mais ampla e interministerial sobre os efeitos do El Niño. Ele afirmou que o instrumento é visto como apoio à decisão de plantio em um cenário de endividamento, preços baixos das commodities e insegurança climática.

O tema também mobiliza o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). A pasta busca recursos para formar brigadas de incêndio em assentamentos da reforma agrária, sobretudo no Amazonas, com financiamento pelo Fundo Amazônia. O ministério também discute ampliação da formação de estoques de produtos agropecuários e contratos de opções para a safra. Segundo a ministra Fernanda Machiaveli, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) armazenou 800 mil toneladas de alimentos nos últimos anos.

No Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), o orçamento para indenizações está previsto em R$ 6,6 bilhões neste ano. O diretor José Henrique Silva afirmou que há espaço confortável no programa, mas que o monitoramento seguirá diante das evidências científicas sobre a intensidade do El Niño.

Na área econômica, o Ministério da Fazenda já considera nas projeções para 2027 a maior probabilidade de El Niño no segundo semestre e a continuidade do choque nos preços de fertilizantes. No último Boletim Macrofiscal, a pasta revisou a expectativa de inflação de 3% para 3,5% em 2027.

Fonte: Estadão Conteúdo

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