
Brasil e Vietnã reforçaram a agenda de cooperação econômica durante o seminário “Compartilhamento de Informações sobre Economia, Comércio e Investimentos entre Vietnã e Brasil no Primeiro Semestre de 2026”, realizado na Embaixada da República Socialista do Vietnã, em Brasília.
O encontro reuniu representantes dos governos, empresários, associações setoriais, especialistas e veículos de comunicação para discutir o desempenho do comércio bilateral, investimentos e oportunidades de negócios entre os dois países.
Os dois países estabeleceram relações diplomáticas em 1989 e, ao longo dos últimos 37 anos, ampliaram a cooperação para áreas como comércio, agricultura, ciência, tecnologia, educação, cultura, esportes e atuação em fóruns multilaterais.
Em 2007, os países criaram uma Parceria Abrangente. Em novembro de 2024, durante a Cúpula do G20, no Rio de Janeiro, a relação foi elevada ao nível de Parceria Estratégica.
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Vietnã, em março de 2025, consolidou esse processo com a aprovação de um Plano de Ação para o período de 2025 a 2030, estruturado em seis áreas prioritárias de cooperação.
Dados apresentados durante o seminário mostram que o comércio entre Brasil e Vietnã movimentou cerca de US$ 4,22 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 16,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As exportações brasileiras para o Vietnã somaram aproximadamente US$ 2,104 bilhões, enquanto as importações de produtos vietnamitas alcançaram US$ 2,114 bilhões.
O Brasil segue exportando produtos como soja, milho, algodão, carnes, celulose e minérios. Já o Vietnã amplia sua presença no mercado brasileiro com telefones celulares, computadores, equipamentos eletrônicos, máquinas, calçados, vestuário, madeira processada, pescados e alimentos industrializados.
Entre os avanços destacados pelo embaixador do Vietnã no Brasil, Bùi Văn Nghị, está o reconhecimento do Vietnã como economia de mercado pelo Brasil, anunciado durante a visita presidencial de 2025.
Também foram citadas a retomada das importações brasileiras de filés de tilápia vietnamita e a abertura recíproca de mercados agrícolas durante a Cúpula de Expansão do BRICS, realizada em julho de 2025.
Na ocasião, o Vietnã autorizou a entrada da carne bovina brasileira, enquanto o Brasil abriu o mercado para o peixe pangasius vietnamita.
Outro ponto destacado foi o anúncio, durante a 67ª Cúpula do Mercosul, do início das negociações para um Acordo de Comércio Preferencial (PTA) entre o Vietnã e o bloco sul-americano.
Segundo Bùi Văn Nghị, a negociação poderá ampliar a integração econômica entre o Sudeste Asiático e a América do Sul.
Apesar do crescimento do comércio, o embaixador afirmou que ainda há obstáculos para ampliar a cooperação econômica.
Entre os desafios citados estão o baixo volume de investimentos bilaterais, a concentração das trocas comerciais em poucos setores, os custos logísticos, a ausência de rotas diretas de transporte e a necessidade de ampliar o intercâmbio de informações entre empresas dos dois países.
Ele também mencionou a importância de avançar no diálogo sobre normas sanitárias, barreiras técnicas e exigências regulatórias.
Como estratégia para ampliar a parceria, a Embaixada do Vietnã propôs ações voltadas ao fortalecimento da cooperação entre governos, estados brasileiros e províncias vietnamitas, ao incentivo a investimentos em agricultura, energias renováveis, biocombustíveis, logística, biotecnologia, transformação digital e indústria, além da aceleração das negociações do acordo comercial entre Vietnã e Mercosul.
Durante o seminário, a conselheira comercial e chefe do Escritório Comercial do Vietnã no Brasil, Phạm Hồng Trang, apresentou um panorama das exportações vietnamitas para o mercado brasileiro.
Segundo ela, o Brasil permanece como o principal parceiro comercial do Vietnã na América Latina, enquanto o Vietnã figura entre os principais parceiros brasileiros na Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).
Nos cinco primeiros meses de 2026, os produtos eletrônicos lideraram as exportações vietnamitas para o Brasil. Também registraram crescimento as vendas de máquinas e equipamentos, veículos e autopeças, produtos siderúrgicos, pescados, calçados, têxteis, vestuário, brinquedos e artigos esportivos.
A conselheira destacou que a ampliação da presença no mercado brasileiro exige investimentos em inovação, qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e fortalecimento das marcas, além da aproximação entre empresas e investidores dos dois países.
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