
Os Estados Unidos estão ameaçando aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros, que podem chegar a 37,5%. Desde julho de 2025, o governo americano investiga práticas comerciais do Brasil, incluindo questões relacionadas ao etanol, políticas ambientais, corrupção e pirataria. O sistema de pagamentos PIX também está no radar das autoridades norte-americanas.
Marcelo Fernandes de Oliveira, professor do Departamento de Ciências Políticas e Economia da UNESP e especialista em relações internacionais, explica que o governo dos EUA teme uma possível integração dos sistemas de pagamento dos países que fazem parte do BRICS. Essa integração poderia reduzir a dependência do dólar nas transações internacionais.
O Brasil participa de um arranjo geopolítico com Índia, China e África do Sul, conhecido como BRICS, que foi recentemente ampliado para incluir outros países. Dentro desse grupo, cada nação possui seu próprio sistema de pagamento, semelhante ao PIX brasileiro.
O receio do governo norte-americano é que, se houver uma integração efetiva entre os sistemas de pagamento do BRICS, isso resultará em um deslocamento da intermediação do dólar no comércio internacional, que atualmente representa cerca de 20% das transações. Essa mudança poderia impactar significativamente a receita do estado norte-americano.
A intermediação ocorre quando, por exemplo, um produtor de soja brasileiro vende sua mercadoria para a China. O pagamento é feito em dólar, o que envolve a conversão da moeda local para a moeda americana, um processo dominado por empresas norte-americanas que cobram taxas de 3 a 5% por esse serviço. A implementação de um PIX global poderia eliminar essa intermediação, alterando drasticamente o cenário atual.
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