
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, na quarta-feira (24), em Brasília, de seminário promovido pela Associação dos Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec) sobre políticas agrícolas para 2026. Durante o encontro, a entidade apresentou um panorama dos instrumentos que sustentam a atividade agropecuária, com foco em crédito rural, seguro, gestão de risco e fontes de financiamento do setor.
Na abertura do seminário, o assessor técnico da CNA Guilherme Rios destacou a importância do diálogo entre o setor produtivo e a academia. Segundo ele, esse contato contribui para o aprimoramento das políticas agrícolas.
Em sua apresentação, Rios afirmou que o Brasil conta com legislação específica para a política agrícola, com diretrizes para produtores e demais agentes do setor. Entre os instrumentos citados estão crédito rural, seguro, Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), assistência técnica e outros programas de apoio à produção.
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Ao tratar do Plano Agrícola e Pecuário, o assessor disse que a política não se resume ao crédito e reúne também programas de gestão de riscos, comercialização e sustentabilidade para cada safra. Ele afirmou ainda que, apesar do orçamento anunciado, o volume total de recursos não chega ao produtor.
De acordo com os dados apresentados no seminário, a demanda anual da agropecuária brasileira é estimada em cerca de R$ 1,2 trilhão. Desse total, o Plano Safra responde por 33%, as fontes privadas por 42% e os recursos próprios dos produtores por 25%.
Entre os instrumentos privados de financiamento, Rios citou a Cédula de Produto Rural (CPR) como principal fonte do setor, além da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), do Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), do Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro).
Na avaliação do desempenho do Plano Safra entre julho de 2025 e maio de 2026, o assessor afirmou que houve redução de 10% no volume disponibilizado para contratação na comparação com o mesmo período da safra anterior, sem incluir as CPRs. Segundo ele, produtores enfrentam dificuldades para acessar crédito por causa da burocracia nas instituições financeiras e do cenário econômico.
Sobre gestão de riscos, Rios defendeu o seguro rural como política de Estado. Ele também apontou aumento da inadimplência no crédito rural, com operações contratadas a taxas de mercado saindo de 0,61% em abril de 2023 para 13,29% em abril deste ano.
Ao final do seminário, a CNA afirmou que vem atuando para fortalecer as políticas agrícolas e o ambiente de negócios do produtor rural, com foco em ajustes nos instrumentos já existentes e em maior produção de evidências sobre o que funciona no campo.
Fonte: cnabrasil.org.br
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