
O embargo da União Europeia à proteína animal brasileira e a exigência de maior controle sobre o uso de antimicrobianos reacenderam o debate sobre rastreabilidade e comprovação de práticas na pecuária nacional.
Em meio à mobilização de entidades do setor, o médico-veterinário do Instituto Biológico de São Paulo (IB), Ricardo Jordão, avaliou que o principal desafio do Brasil não está na tecnologia, mas na capacidade de demonstrar o que é feito dentro da porteira.
“O grande ponto que faltou foi comprovar. Tem muita coisa aplicada, mas eu acho que foi um entendimento e, tirando o lado comercial e econômico, falando só da parte técnica, a gente consegue tranquilamente”, afirmou ele, em entrevista ao Rural Notícias desta sexta-feira (12).
Segundo Jordão, o Brasil não enfrenta um problema sanitário, mas documental. Ele destacou que o país utiliza apenas produtos permitidos, porém ainda tem dificuldade em comprovar de forma estruturada o uso diário dessas substâncias.

Ele reforça que a rastreabilidade é essencial diante do tamanho do país e da complexidade da cadeia produtiva. Para ele, o sistema brasileiro de identificação de origem do rebanho precisa evoluir para incluir mais informações.
“O Brasil tem o Sisbov, que é um sistema justamente para isso. Só que eles não querem saber só para onde o animal foi e de onde ele veio. Eles querem mais informações: o que foi usado, quanto foi usado, por quanto tempo”, explicou.
Sobre a exigência europeia, Jordão lembrou que a preocupação está ligada à segurança alimentar e ao uso de antimicrobianos, destacando que algumas classes não devem ser utilizadas na produção animal por risco de resíduos na carne.
Ele também defendeu o avanço do receituário veterinário como ferramenta de controle, em modelo semelhante ao da medicina humana, para garantir rastreabilidade e uso adequado de medicamentos.
“Essa retenção de receita veterinária ajuda muito. É justamente isso que a União Europeia quer saber da gente: se a gente está usando os que são permitidos”, disse.
Apesar do prazo imposto pela UE, o veterinário avalia que o Brasil pode avançar em ajustes regulatórios e de controle, mesmo que mudanças mais estruturais, como a aprovação de leis, levem mais tempo para serem implementadas.
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