Água potável e saneamento básico são os maiores desafios da Amazônia, diz ministro

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, disse durante entrevista ao Canal Rural, durante a COP30, em Belém (PA), na terça-feira (18), que o acesso à água potável e ao saneamento básico é um dos maiores desafios sociais e ambientais da Amazônia. Segundo ele, iniciativas do governo federal vêm sendo estruturadas para atender comunidades ribeirinhas, aldeias indígenas e grupos isolados que historicamente ficaram fora das políticas públicas convencionais.

Dias explicou que o Ministério do Desenvolvimento Social vem ampliando o uso de tecnologias sociais para levar água tratada a comunidades pequenas e de difícil acesso. “Quando pensamos na Amazônia, ninguém imagina que falta água potável. Mas falta. Por isso, estamos replicando experiências que já funcionam no Nordeste, como o sistema de captação de água da chuva por meio de cisternas”, afirmou.

Segundo o ministro, a tecnologia envolve captação no telhado das casas, filtragem, armazenamento em caixas d’água e uso de placas solares para bombeamento. O próprio grupo comunitário é treinado para instalar e manter o sistema. “Conseguimos garantir água potável e também saneamento adequado, com banheiro e tratamento, evitando que resíduos sejam jogados diretamente nos rios”, ressaltou. Ele citou comunidades que vivenciaram “o primeiro banho de chuveiro” como marco de transformação na qualidade de vida.

Integração do agro com comunidades tradicionais

Ao comentar sobre o papel do agronegócio na socioeconomia amazônica, Dias destacou que a integração produtiva entre pequenos, médios e grandes produtores é estratégica para ampliar renda e sustentabilidade. Ele lembrou exemplos como o açaí, que pode ser cultivado em sistemas agroflorestais junto a outras espécies nativas.

O ministro detalhou que o governo trabalha no conceito de “floresta produtiva”, voltado para recuperar áreas degradadas e gerar renda. A iniciativa é coordenada pelo Desenvolvimento Social em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário.

“Queremos mapear áreas de capoeira e transformá-las em florestas que produzam castanha, açaí, cacau, café, cupuaçu, taperebá, cajá. Se paga pelo serviço ambiental, se paga pela coleta de sementes, pela produção de mudas e pelo plantio. É renda imediata para famílias do Bolsa Família e do Cadastro Único”, explicou.

O modelo, segundo Dias, ajuda a reduzir o desmatamento e abre espaço para que pequenos produtores participem do mercado de crédito de carbono. “Se a floresta gera dinheiro, ninguém derruba. E quando a gente integra com o agro que já tem tecnologia e conhecimento, o resultado é muito maior”, afirmou.

Expectativas para a COP30

Wellington Dias avaliou que a COP30 marca um momento histórico para a Amazônia. Ele lembrou que, quando o presidente Lula propôs sediar o evento em Belém, muitos duvidaram da capacidade de organização. “Hoje vemos uma COP robusta, com 60 mil participantes, delegações de 155 países e 47 chefes de Estado”, destacou.

O ministro comemorou o avanço da Declaração de Belém, que, segundo ele, eleva o nível dos compromissos internacionais quando comparado a conferências anteriores, como Paris, Copenhague e Azerbaijão. “Estamos integrando economia, social e meio ambiente. A agrofloresta produtiva é um exemplo dessa visão. E o novo Fundo por Floresta em Pé (TFF) é uma conquista extraordinária”, afirmou.

Dias concluiu defendendo que o foco das decisões climáticas deve incluir não apenas a proteção dos ecossistemas, mas também das populações mais vulneráveis. “Colocar o ser humano no centro das atenções é fundamental. Quem veio à COP30 sai diferente. E o mundo também sairá diferente depois de Belém”, disse.

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