
O esterco bovino, frequentemente classificado como um resíduo da produção, possui um potencial inexplorado para se tornar um dos principais ativos do confinamento.
Com o manejo adequado, esse material se transforma em um valioso adubo orgânico, capaz de gerar receita adicional, aumentar a qualidade do solo e promover a sustentabilidade na fazenda. O aproveitamento estratégico do dejeto fecha o ciclo produtivo, desmistificando a ideia de que a pecuária intensiva gera poluição.
Ao programa Giro do Boi, o doutor em Zootecnia Maurício Scoton alerta que o manejo inadequado do esterco gera prejuízos sanitários e financeiros. O acúmulo de material orgânico nos currais é precursor de dois grandes problemas no confinamento: a lama, que prejudica a ruminação dos animais e causa problemas de casco; e a poeira, que aumenta drasticamente o risco de doenças respiratórias, como a pneumonia.
Por isso, a raspagem e a limpeza do curral são etapas cruciais para o bem-estar animal e a sanidade do rebanho, especialmente com a chegada do período de chuvas. Confira o vídeo completo.
O confinamento, além de produzir carne de alta qualidade, gera uma quantidade significativa de esterco. Um animal em dieta de 100 dias, consumindo cerca de 20 a 25 kg de matéria natural, produz de 3 a 5 kg de esterco por dia. O correto aproveitamento desse volume pode gerar uma receita extra considerável para o pecuarista, com diferentes níveis de rentabilidade.
O Dr. Scoton detalha três formas de uso com retorno financeiro crescente:
A estratégia de compostagem proporciona múltiplos benefícios para a agricultura regenerativa e a fazenda como um todo. O fertilizante orgânico processado atua diretamente na melhoria da estrutura do solo, aumenta a retenção de água e repõe nutrientes vitais, como Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K), essenciais para a lavoura e o pasto.
Ao processar os dejetos, o produtor rural consegue, simultaneamente, reduzir os problemas sanitários e nutricionais no confinamento e transformar uma despesa com resíduos em um investimento lucrativo.
Isso demonstra que a pecuária intensiva, quando alinhada a uma gestão sustentável, não só é ecologicamente viável, mas também promove a economia circular dentro da propriedade, garantindo longevidade e rentabilidade ao negócio.
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