
Desde abril de 2025, os EUA aplicam tarifas de até 50% sobre produtos de vários países, incluindo Brasil e Índia. Em 29 de agosto, uma corte de apelações declarou a maior parte dessas tarifas ilegal, mas manteve a cobrança até outubro, em caso de recurso à Suprema Corte. Apesar da incerteza, a mensagem já foi assimilada: os EUA se tornaram um parceiro comercial instável.
Com a ofensiva americana, grandes emergentes procuram novas rotas de cooperação.
A tendência é clara: formar blocos de peso que reduzem a dependência do mercado americano.
O Brasil já é líder mundial em exportação de soja, carne, açúcar e café. Além disso, tem potencial de ampliar a produção de forma sustentável, recuperando milhões de hectares de pastagens degradadas. No campo logístico, o Arco Norte já responde por quase 40% do escoamento de grãos, reduzindo custos e fortalecendo a competitividade.
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A crise abre espaço para o Brasil encurtar sua reindustrialização, importando tecnologia de China e Índia: veículos elétricos, telecomunicações, biotecnologia, satélites para agricultura de precisão e insumos farmacêuticos. Com apoio da Rússia em setores como energia nuclear, petróleo e fertilizantes, o país pode ampliar ainda mais sua base produtiva.
Para aproveitar a oportunidade, o país precisa agir rápido:
O tarifaço americano pode acelerar um processo histórico: a aproximação entre China, Índia, Brasil, México e Rússia. Para o Brasil, trata-se de uma chance rara de unir a força agroexportadora à reindustrialização tecnológica.
Como ensina a sabedoria do campo, cada ameaça é uma oportunidade. Cabe ao Brasil transformar a instabilidade americana em trampolim para se firmar como potência global em alimentos, energia e indústria moderna.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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