Bolsa fecha em queda forte e dólar em alta sob efeito do Copom e fiscal

Sâo Paulo – A Bolsa fechou em queda forte em um pregão de muito estresse com o desconforto dos investidores em relação à situação fiscal do País. Somado a isso, o remédio amargo do Comitê de Política Monetária (Copom) para segurar a inflação sinalizando mais dois aumentos da Selic de 1 ponto porcentual (pp) nas reuniões de janeiro e março de 2025 azedou o humor do mercado.

O setor da economia doméstica são os que mais sofreram. Das 86 ações, apenas Hapvida (HAPV3) subiu.

No interdiário, o Ibovespa oscilou entre a mínima de 125.828,56 pontos e máxima de 129.587,08 pontos.

A ação da Hapvida (HAPV3) subiu 1,12% “devido à expectativa de reajuste nos planos de saúde. A empresa se beneficia da estimativa de reajuste de 5,6% em planos individuais, reduzindo assim a pressão financeira com menores aumentos, mesmo com custos elevados, o que traz o segundo dia de alta forte para a ação”, diz Idean Alves, planejador financeiro e especialista em mercado de capitais.

A ação do Pão de Açúcar (PCAR3) caiu 11,02%, Magazine Luiza (MGLU3) perdeu 9,01% e Carrefour Brasil (CRFB3) registrou queda 8,59%, as maiores queda do índice.

O principal índice caiu 2,74%, aos 126.042,21 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em dezembro recuou 2,95%, aos 126.155 pontos. O giro financeiro foi de R$ 26,8 bilhões. Em Nova York, os índices fecharam em queda.

Na avaliação de Anderson Miranda, head de Distribuição da W1 Capital, embora o aumento da Selic já fosse esperado, “a contratação de novas altas na mesma magnitude adicionou mais incerteza para o futuro”.

Em relação ao estado de saúde do presidente Lula, que ontem fez um forte movimento de alta para a Bolsa, Miranda disse que hoje “segue no radar, mas por ora com menor influência frente ao risco fiscal expectativa de selic terminal acima dos 14,5% em 2025”.

Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, disse que a questão do pacote fiscal é o que traz esse mau humor.

“A Bolsa caminha para um dos piores fechamentos dos últimos tempos, com queda de quase 3%. Apesar da ação do BC ter sido mais firme, com incremento de 1,00 ponto porcentual (pp) [na taxa de juros] e indicação de mais duas altas, mostra que ele [o BC] tentou conter um pouco a inflação. O mercado leu como positivo, mas o mau humor vem da tendência de não resolver o fiscal, posicionamento do Congresso com a política toma lá dá cá. Só a política monetária não vai adiantar. Precisa ter uma ação do governo para aprovar esse pacote fiscal”.

A relação saúde do Lula e o impacto no mercado, Moliterno diz que “é positivo, e como ele concentra tudo nele, enquanto ele continuar internado, o mercado lê que nada vai mudar”.

Virgílio Lage especialista da Valor investimentos, disse que o pessimismo do mercado é explicado pela “perspectiva futura de mais aumento na taxa de juros em patamares de 14% e a crise fiscal mais agravada”.

Mais cedo, Nicolas Farto, sócio e head de renda variável da Vértiq Invest, disse que “o ajuste na curva de juros está derrubando nosso Indice em decorrência das indicações de mais duas altas na mesma magnitude da reunião de ontem em 1 ponto porcentual (pp). A decisão veio mais ou menos em linha, tinham opiniões em aumento de 0,75 pp e 1,00 pp, mas essa endurecida para as próximas reuniões fez a equipe de macro da XP aumentar a projeção em 15% para a taxa Selic”.

Farto acredita que a alta nos DIs “pode amenizar ao longo do dia porque tem minério de ferro em alta e notícias de algum avanço das pautas do pacote fiscal. Ontem vimos o mercado reagir à saúde do Lula. Se tiver algum indício que ele pode ficar fora do pleito de 2026, o mercado pode precificar algo mais positivo”.

No mercado de câmbio, o dólar comercial terminou a sessão em alta de 0,68%, cotado a R$ 6,0110 refletindo a desconfiança do mercado com quadro fiscal doméstico e a contração, pelo Comitê de Política Monetária (Copom), de mais duas altas de juros nas primeiras reuniões de 2025-janeiro e março.

A divisa oscilou entre a mínima de R$ 5,8673 e máxima de R$ 6,0493.

No comunicado de ontem, o Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) em 1 ponto percentual (pp), de 11,25% para 12,25%. Na parte da manhã, a moeda estrangeira reagiu bem e caiu, mas no começo da tarde o mau humor se instalou e mudou de direção.

Para o analista da Potenza Capital Bruno Komura, “hoje vemos o mercado corrigindo parte do movimento e reagindo ao Copom que passou a fornecer o forward guidance novamente – sinalizou mais duas altas de 1 pp”.

O economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, entende que o tema dominância fiscal pode ganhar ainda mais força no debate econômico ao longo das próximas semanas.

Da mesma forma que o dólar, as taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecham em firme alta depois da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a Selic (taxa básica de juros) em 100 pontos base, além da indicação de forward guidance de mais duas altas de 100 pontos. O dólar forte também pressiona as taxas por conta do temor de pressão inflacionária.

Por volta das 16h40 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 12,153% de 11,999% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2026 projetava taxa de 14,685%, de 14,205, o DI para janeiro de 2027 ia a 14,770%, de 14,725%, e o DI para janeiro de 2028 com taxa de 14,500% de 14,165% na mesma comparação.

Os principais índices de ações do mercado dos Estados Unidos fecharam o pregão em em campo negativo, pressionadas por um relatório de inflação mais forte do que o esperado, enquanto as ações de tecnologia não conseguiram manter o impulso observado no início da semana.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: -0,53%, 43.914,12 pontos
Nasdaq 100: -0,66%, 19.902,8 pontos
S&P 500: -0,54%, 6.051,25 pontos

Paulo Holland, Camila Brunelli e Darlan de Azevedo / Agência Safras News

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