Em dia volátil, Bolsa fecha em queda de 0,04% com Petrobras; dólar encerra a R$ 6,04

São Paulo -A Bolsa fechou em queda de 0,04%, praticamente estável, em uma sessão volátil, em meio à queda das commodities, principalmente pelas ações da Petrobras (PETR4) com a possibilidade de troca na presidência do Conselho de Administração da empresa, e descola do exterior. Somado a isso, fiscal que ainda preocupa o mercado e a resiliência da economia americana.

As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) caíram 0,95% e 0,63%. Vale (VALE3) recuou 1,94%.

O principal índice da B3 caiu 0,04%, aos 126.087,02 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em dezembro subiu 0,13%, aos 126.485 pontos. O giro financeiro foi de R$ 22 bilhões. Em NY, os índices fecharam em alta.

Thiago Pedroso, responsável pela área de renda variável da Critera, disse que a questão fiscal e os dados fortes nos Estados Unidos pesam.

“O mercado está bem de lado. O fiscal continua pesando, e além disso, nos EUA a economia não para de crescer. Com Trump assumindo [a Casa Branca] e a questão [política] protecionista dele, a tendência é que os juros comecem a parar de cair antes do esperado, é um cenário que pressiona a nossa curva de juros. Aqui também pesa a queda as commodities, e agora há tarde veio a notícia que o governo está trocando o presidente do Conselho pra ter mais influência na empresa”.

Em nota, João Daronco, analista da Suno Research, informou que “de acordo com a indicação enviada pela Casa Civil e com a autorização de Lula, o novo presidente do conselho deverá ser o conselheiro Bruno Moretti. Entendemos que esses movimentos não deverão impactar as condições de geração de caixa da Petrobras e nem a sustentabilidade dos seus dividendos”.

Alexsandro Nishimura, economista da Nomos, disse que Petrobras puxou o Indice pra baixo.

“Inicialmente o índice se beneficiou das perspectivas para a rápida tramitação do pacote de ajuste fiscal no Congresso, o que também ajudou para a queda dos juros futuros. No meio da tarde, porém, as ações da Petrobras sofreram com o noticiário de que o governo pretende substituir o presidente do Conselho da companhia, podendo aumentar a ingerência política sobre a estatal”.

Em relação à queda da Petrorio (PRIO3, -2,69%), Nishimura disse que está associada a notícia de “queda na produção total, com 76.896 barris de óleo equivalente por dia (boepd) em novembro, 2,9% menor que em outubro”.

Ricardo Leite, head de renda variável da Diagrama Investimentos, disse que a volatilidade do mercado é explicada pela “cautela dos investidores [com a política fiscal doméstico]. A curva de juros está um mix, esse efeito gera uma precificação no valuation das empresas. As empresas mais sensíveis a juros longos, que demandam de mais financiamento, tendem a sofrer mais; enquanto as de consumo de curto prazo se beneficiam. O mercado segue digerindo o PIB do 3T24 [de saiu na véspera, crescimento de 0,9% em outubro]. As empresas de extração e commodities como Vale puxam o índice para baixo e, na ponta contrária, empresa de consumo ou indústria de transformação para cima. As falas do Powell vieram dentro do esperado”.

Daiane Gubert, head de assessoria de investimentos da Melver, disse que o mercado está de olho no exterior e o fiscal doméstico.

“A volatilidade vai ficar no cenário enquanto não tiver uma sinalização mais clara do governo sobre o fiscal. O relatório ADP, prévia do payroll, [sai na sexta-feira] veio bom-criação de 146 mil vagas e previsão de 150 mil-. Hoje a atenção fica para a fala do Powell, que tem mudado muito o discurso, e o Livro Bege. Acho que na reunião do dia 18, a redução [da taxa] será de 0,25 ponto porcentual (pp). Para o ano que vem é um ponto de atenção, se segue o ciclo de corte ou a manutenção”.

Daiane explica que as ações da Vale (VALE3) caem “de olho na China, na reunião [Conferência Central de Trabalho Econômico], que vai trazer novos estímulos, minério subindo um pouquinho”.

O dólar comercial fechou em queda de 0,27%, cotado a R$ 6,0440. A moeda refletiu, no período da tarde, a declaração do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), de que o governo terá dificuldades para aprovar o pacote fiscal teve reflexo na divisa estadunidense. O fiscal, todavia, segue impedindo que o real ganhe força.

Segundo o head de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, entende que o pessimismo do mercado vai além do razoável, e que a curto não acredita em uma deterioração das contas públicas.

Sobre a declaração de Lira, Weigr entende que o pacote pode “sair melhor do que entrou” no Congresso”, o que favoreceria o fiscal.

Para o sócio da Pronto! Invest Vanei Nagem, há um consenso no mercado de que o patamar do dólar é alto, mas que enquanto o governo não tiver uma medida de choque no fiscal a situação permanecerá inalterada.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecham em alta, repercutindo tensão política em Brasília na aprovação do pacote fiscal proposto pelo Executivo, além do temor inflacionário do mercado por conta atividade econômica brasileira.

Por volta das 16h45 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 11,763% de 11,692% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2026 projetava taxa de 14,115%, de 13,995%, o DI para janeiro de 2027 ia a 14,370%, de 14,260%, e o DI para janeiro de 2028 com taxa de 14,280% de 14,215% na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão desta quarta-feira em alta, com o setor de tecnologia liderando os ganhos após resultados trimestrais robustos de empresas como Salesforce e Marvell Technology.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: +0,69%, 45.014,04 pontos
Nasdaq 100: +1,30%, 19.735,1 pontos
S&P 500: +0,60%, 6.086,49 pontos

 

Paulo Holland, Camila Brunelli e Larissa Bernardes / Agência Safras News

 

 

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